Ibovespa supera 189 mil pontos e bate novo recorde

Alta de 2,03% leva índice ao maior nível da história, com impulso de Vale, Petrobras e Itaú e forte entrada de capital estrangeiro

Ewertom Rodrigues

Publicado em: 11 de fevereiro de 2026

6 min.
Bolsa fecha acima de 189 mil pontos pela 1ª vez em 2026; dólar cai a R$ 5,18 com forte entrada de capital estrangeiro

Bolsa fecha acima de 189 mil pontos pela 1ª vez em 2026; dólar cai a R$ 5,18 com forte entrada de capital estrangeiro. - Foto: REUTERS/Amanda Perobelli

O Ibovespa fechou em alta de 2,03% nesta quarta-feira (11) e superou, pela primeira vez, os 189 mil pontos. O principal índice da Bolsa brasileira encerrou o dia aos 189.699,12 pontos, impulsionado por ações de peso como Vale, Petrobras e Itaú Unibanco, além do fluxo contínuo de capital estrangeiro para o mercado brasileiro.

Durante o pregão, o índice chegou a atingir 190.561,18 pontos — novo recorde intradia — e também ultrapassou, pela primeira vez, as marcas de 188 mil e 189 mil pontos. Na mínima do dia, registrou 185.936,27 pontos. O volume financeiro somou R$ 38,6 bilhões.

Este é o 11º fechamento recorde do Ibovespa em 2026. No acumulado do ano, a valorização já chega a 13,6%.

Entrada de capital estrangeiro impulsiona Bolsa e derruba dólar

O forte fluxo de investimentos estrangeiros voltou a ser determinante para o desempenho do mercado. Dados da B3 mostram que, até 9 de fevereiro, houve entrada líquida de quase R$ 4,2 bilhões na Bolsa. Em janeiro, o saldo positivo foi de R$ 26,3 bilhões. Em todo o ano passado, o superávit ficou próximo de R$ 25,5 bilhões.

Segundo Willian Queiroz, sócio e advisor da Blue3 Investimentos, o investidor estrangeiro tem avaliado positivamente o Brasil, especialmente diante da perspectiva de queda da taxa Selic ainda neste ano.

Estrategistas apontam que o movimento também reflete uma rotação global de ativos, com saída de recursos dos Estados Unidos e maior direcionamento para mercados emergentes, como o Brasil.

No câmbio, o dólar à vista fechou em queda de 0,20%, cotado a R$ 5,1872. No acumulado de 2026, a moeda norte-americana registra desvalorização de 5,50% frente ao real.

Pesquisa eleitoral influencia humor do mercado

O mercado também reagiu à nova pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (11), que mostrou redução na diferença entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em cenários testados para as eleições.

Nos sete cenários de primeiro turno simulados, Lula aparece com 35% a 39% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra entre 29% e 33%. Em eventual segundo turno entre ambos, Lula teria 43% (ante 45% em janeiro), e Flávio manteria 38%.

De acordo com o estrategista Nicolas Gass, sócio da GT Capital, o mercado interpretou os números como positivos.

A pesquisa também apontou índices de rejeição semelhantes: 55% para Lula e 54% para Flávio Bolsonaro no quesito “conhece e não votaria”.

Banco Central sinaliza cortes “comedidos” na Selic

Outro fator acompanhado pelos investidores foi o discurso do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em evento em São Paulo.

Ele afirmou que o Comitê de Política Monetária (Copom) fará “movimentos comedidos” no ciclo de corte da Selic, que deve começar na próxima reunião, em março. Galípolo comparou o Banco Central a um “transatlântico”, que não pode realizar mudanças bruscas de rota, e destacou a “serenidade” como palavra-chave para os próximos passos.

Atualmente, a taxa básica de juros está em 15% ao ano, o maior patamar em duas décadas.

Dados dos EUA também entram no radar

No cenário internacional, investidores analisaram os dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos. O país criou 130 mil vagas fora do setor agrícola em janeiro, quase o dobro do esperado pelos analistas, enquanto a taxa de desemprego caiu de 4,4% para 4,3%.

Para a economista Andressa Durão, do ASA, os números indicam reaceleração do mercado de trabalho norte-americano, compatível com atividade econômica mais forte.

Segundo ela, o conjunto dos dados sugere manutenção dos juros em território levemente restritivo, já que o mercado de trabalho pode voltar a pressionar a inflação.

Com o cenário doméstico e externo no radar, o Ibovespa segue renovando máximas históricas, sustentado pelo fluxo estrangeiro e pela expectativa de mudanças na política monetária.


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