Itaú fecha agência no Centro de Criciúma e sindicato alerta para risco de demissões

Protesto “Carnamal” marcou o último dia de funcionamento da unidade no Edifício Iceberg; banco registrou lucro de R$ 47 bilhões em 2025

José Demathé

Publicado em: 13 de fevereiro de 2026

6 min.

Itaú fecha agência no Centro de Criciúma e sindicato alerta para risco de demissões Foto: Divulgação

O Itaú encerrou nesta sexta-feira (13) as atividades de mais uma agência em Criciúma. A unidade, localizada no Edifício Iceberg, na região central da cidade, funcionava desde 1997, ainda na época do Unibanco, e é a quarta a ser fechada no município nos últimos anos. O Sindicato dos Bancários realizou um protesto no local e alertou para a possibilidade de demissões e precarização do atendimento.

A entrevista foi concedida pelos dirigentes sindicais Laércio Silva e Júlio Savi ao jornalista Denis Luciano, na Rádio Cidade em Dia 89.1 FM, do Grupo SCTODODIA de Comunicação.

Segundo o sindicato, nove funcionários e três trabalhadores terceirizados atuavam na agência. De acordo com os representantes, até o momento não houve demissões confirmadas, e parte dos empregados deve ser realocada para outra unidade no Centro. Ainda assim, a entidade teme cortes futuros.

Redução de agências em Criciúma

Conforme relatado durante a entrevista, o Itaú chegou a ter cinco agências em Criciúma após a fusão com o Unibanco, entre 2009 e 2010. Com o fechamento desta semana, restará apenas uma unidade física na cidade.

De acordo com o sindicato, o movimento acompanha uma tendência nacional de redução no número de bancários. Há dez anos, o Brasil contava com cerca de 513 mil trabalhadores no setor; atualmente, são aproximadamente 445 mil.

Para Laércio Silva, a justificativa de avanço tecnológico não explica, por si só, o encolhimento do quadro funcional.

“O banco vai aumentando o lucro e diminuindo o número de empregados. Eles atribuem à tecnologia, mas não falam da precarização do atendimento”, afirmou.

Lucro bilionário e crítica à concentração de renda

O dirigente sindical também destacou o lucro líquido de R$ 47 bilhões registrado pelo Itaú em 2025. Segundo ele, ao dividir o resultado pelo número aproximado de 90 mil empregados, o lucro por trabalhador ultrapassaria R$ 500 mil.

A entidade argumenta que a intermediação financeira, função principal dos bancos, deveria prestar serviço à sociedade sem gerar, na avaliação do sindicato, concentração excessiva de renda.

Em nota mencionada durante a entrevista, a área de relações sindicais do Itaú afirmou que eventuais demissões no início do ano decorreram de reestruturação interna, critérios de eficiência e casos de baixo desempenho. O sindicato contesta a justificativa.

Protesto “Carnamal”

Para marcar o último dia de funcionamento da agência, o sindicato promoveu um ato simbólico chamado de “Carnamal”, em referência ao período de Carnaval. Segundo os organizadores, a ação buscou chamar a atenção para o que classificam como retrocesso no atendimento bancário.

Os dirigentes afirmaram que o protesto também teve o objetivo de conscientizar clientes a exigirem atendimento adequado nas instituições financeiras.

Tendência no setor bancário

Além do Itaú, outras instituições privadas também têm reduzido agências físicas em Criciúma e em outras cidades catarinenses nos últimos anos. Para o sindicato, a estratégia estaria relacionada à busca por maior rentabilidade com estrutura enxuta.

Já os bancos defendem que a digitalização dos serviços e a mudança no comportamento dos clientes justificam a reorganização das unidades físicas.

O fechamento da agência no Centro reforça o debate sobre o futuro do atendimento presencial e o impacto da transformação digital no mercado de trabalho bancário em Santa Catarina.


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