Liquidação do Will Bank: o que muda para quem tinha conta no banco

A medida atinge diretamente cerca de 12 milhões de clientes em todo o país.

Eduardo Fogaça

Publicado em: 22 de janeiro de 2026

6 min.
Liquidação do Will Bank: o que muda para quem tinha conta no banco. Foto: Divulgação/Will Bank

Liquidação do Will Bank: o que muda para quem tinha conta no banco. Foto: Divulgação/Will Bank

A liquidação extrajudicial do Will Bank, decretada nesta quarta-feira (21) pelo Banco Central, trouxe incertezas imediatas para milhões de brasileiros que mantinham conta, cartão ou investimentos na instituição financeira digital. A medida atinge diretamente cerca de 12 milhões de clientes em todo o país.

Controlado pelo Banco Master, o Will Bank atuava principalmente com cartões de crédito, empréstimos pessoais e investimentos, com forte presença entre consumidores das classes C, D e E.

O que acontece agora com quem tinha conta no Will Bank

Para os clientes, o primeiro impacto prático já foi sentido antes mesmo do anúncio oficial. Na véspera da liquidação, a bandeira Mastercard suspendeu o uso dos cartões do Will Bank em sua rede.

Com a decisão do Banco Central, todos os cartões emitidos pela instituição serão cancelados definitivamente e não poderão mais ser utilizados para compras, saques ou pagamentos.

Além disso, novas movimentações financeiras ficam impedidas, e os clientes devem aguardar orientações oficiais sobre acesso a saldos e encerramento formal das contas.

E o dinheiro que estava aplicado no banco?

Quem mantinha investimentos no Will Bank está coberto pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O mecanismo garante a devolução de valores aplicados em produtos como CDBs, até o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ.

No site oficial, o Will Bank afirma que todos os investimentos contam com a proteção do FGC e que, mesmo diante de “comportamentos inesperados no mercado financeiro”, os clientes não sofrerão perdas dentro desse limite.

No entanto, especialistas alertam que o ressarcimento não costuma ser imediato.

Quando o cliente recebe o dinheiro do FGC

Segundo o professor da FIA Business School, Paulo Feldmann, clientes que tinham até R$ 250 mil aplicados tendem a receber o valor integral, mas o prazo pode variar.

Para quem tinha valores superiores, a situação exige mais paciência. Um cliente com R$ 300 mil investidos, por exemplo, deve receber rapidamente os R$ 250 mil garantidos pelo fundo. Já os R$ 50 mil excedentes dependem da conclusão de todo o processo de liquidação do banco, o que pode levar meses ou até mais tempo.

Alerta para quem confiava apenas no FGC

O fundador da Cash Wise Investimento, Rafael Costa, faz um alerta importante aos correntistas e investidores: a garantia do FGC existe, mas não é perfeita.

Ele lembra que o fundo já está realizando o maior pagamento de sua história após a liquidação do Banco Master, com previsão de desembolsar cerca de R$ 40,6 bilhões para aproximadamente 800 mil investidores.

Com a entrada do caso Will Bank, o fundo pode enfrentar sobrecarga operacional, o que tende a alongar os prazos de pagamento aos clientes lesados.

Impacto maior em clientes de menor renda

O Will Bank se apresentava como uma instituição voltada ao atendimento das classes C, D e E. Para especialistas, isso torna o cenário ainda mais delicado.

Segundo Feldmann, há casos em que a poupança de toda uma família pode ter sido concentrada em um único banco digital. Clientes com valores acima do teto do FGC correm o risco de não recuperar integralmente os recursos ou de enfrentar longas esperas.

Apesar disso, o professor avalia que eventuais atrasos nos reembolsos não estão ligados a uma fragilidade estrutural do FGC, mas sim ao acúmulo de grandes liquidações em curto espaço de tempo.

Como o cliente deve se preparar a partir de agora

Especialistas recomendam que clientes acompanhem atentamente os comunicados oficiais do Banco Central, do FGC e do próprio Will Bank. Também é fundamental guardar comprovantes de investimentos, extratos e contratos.

Para o futuro, a orientação é diversificar aplicações, avaliar a solidez das instituições financeiras e não basear decisões apenas na existência de garantias, como o FGC.


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