A possibilidade de uma greve nacional de caminhoneiros voltou a preocupar o mercado financeiro brasileiro nesta terça-feira (17). O temor de paralisação ganhou força ao longo do dia e impactou indicadores como o Ibovespa e a curva de juros, justamente na véspera da decisão sobre a taxa Selic pelo Comitê de Política Monetária (Copom).
O principal índice da Bolsa chegou a operar em alta consistente durante a tarde, mas perdeu ritmo nos momentos finais do pregão. Ainda assim, encerrou o dia com leve valorização, mantendo-se acima dos 180 mil pontos.
Juros sobem e refletem incerteza
A reação mais clara ao risco de paralisação foi observada no mercado de juros futuros. Após um início de sessão mais estável, as taxas passaram a subir ao longo da tarde, acompanhando o aumento das incertezas internas.
Mesmo com intervenções do Tesouro Nacional, que buscavam dar liquidez ao mercado, o movimento de alta prevaleceu. Contratos com vencimentos mais longos registraram elevação, sinalizando preocupação com possíveis impactos econômicos de uma paralisação nas estradas.
A avaliação do mercado é de que uma greve pode pressionar a inflação, ao afetar o transporte de mercadorias, e ao mesmo tempo desacelerar a atividade econômica.
Decisão do Copom aumenta cautela
O cenário de instabilidade ocorre às vésperas da reunião do Copom, marcada para esta quarta-feira (18). A expectativa dos investidores sobre o ritmo de corte da Selic mudou nos últimos dias.
Antes majoritária, a projeção de redução de 0,5 ponto percentual perdeu força. Agora, ganha espaço a aposta em um corte mais moderado, de 0,25 ponto, diante do ambiente externo mais volátil.
Além do cenário doméstico, o mercado acompanha a decisão de juros nos Estados Unidos, que será anunciada pelo Federal Reserve (Fed) também nesta quarta-feira.
Categoria pressiona por novas medidas
A possível mobilização dos caminhoneiros está ligada, principalmente, à insatisfação com o preço do diesel. Representantes da categoria vêm sinalizando ao governo federal a possibilidade de paralisação nacional.
Entre os principais pontos levantados estão:
- A alta recente do combustível
- A avaliação de que medidas anunciadas não surtiram efeito
- Falhas na fiscalização dos preços ao consumidor
Lideranças do setor já discutiram o tema em reuniões recentes e indicaram apoio à mobilização. Ainda não há uma data oficial definida, mas há pressão para que o movimento ocorra nos próximos dias.
Medidas anunciadas não tiveram impacto esperado
O governo federal chegou a anunciar ações para tentar conter a alta do diesel, como a redução de tributos e subsídios para segurar os preços. No entanto, reajustes posteriores no valor do combustível e problemas na cadeia de distribuição diminuíram o impacto das medidas, segundo representantes da categoria.
Diante desse cenário, o risco de paralisação segue no radar do mercado e das autoridades, especialmente pelos possíveis efeitos sobre inflação, logística e crescimento econômico.
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