A temporada do Imposto de Renda 2026 está prestes a começar, e especialistas alertam para um cenário de fiscalização cada vez mais rigoroso por parte da Receita Federal. As novas regras da declaração devem ser anunciadas nesta segunda-feira (16), junto com o calendário oficial de envio do documento.
O avanço tecnológico é um dos principais fatores por trás desse aumento no controle. Com o uso de inteligência artificial e sistemas de cruzamento de dados, o Fisco consegue identificar inconsistências nas declarações de forma mais rápida e automatizada.
Hoje, a Receita Federal tem acesso a informações provenientes de bancos, corretoras, cartórios, administradoras de fundos, planos de previdência e fintechs, o que amplia significativamente a capacidade de monitoramento das movimentações financeiras dos contribuintes.
Declaração pré-preenchida deve ficar ainda mais completa
Uma das tendências para os próximos anos é o avanço da declaração pré-preenchida, que já traz diversos campos preenchidos automaticamente.
Essas informações são baseadas em dados de:
- declarações anteriores do contribuinte
- carnê-leão digital
- informes de rendimentos de empresas
- dados de serviços médicos e imobiliárias
- registros enviados por instituições financeiras
Na prática, isso significa que a Receita já possui grande parte das informações antes mesmo do contribuinte iniciar o preenchimento da declaração.
Criptoativos e investimentos no exterior também entram no radar
A fiscalização ampliada atinge todos os perfis de contribuintes, inclusive aqueles que acreditam que operações realizadas fora do país são difíceis de rastrear.
Investidores em criptoativos, por exemplo, muitas vezes imaginam que transações em corretoras estrangeiras não chegam ao conhecimento do Fisco. No entanto, diversas plataformas já compartilham informações com autoridades brasileiras por meio de acordos internacionais de cooperação.
O mesmo ocorre com estruturas patrimoniais no exterior, como:
- offshores, empresas abertas fora do Brasil
- trusts, usados para planejamento e proteção patrimonial
Esses mecanismos também passaram a receber atenção maior da Receita.
Fintechs passam a enviar dados ao Fisco
Outra mudança recente envolve as fintechs, que agora estão sujeitas às mesmas regras de comunicação de dados que os bancos tradicionais.
A Instrução Normativa nº 2.278/2025 determinou que essas instituições devem informar à Receita operações financeiras acima de:
- R$ 2 mil por mês para pessoas físicas
- R$ 6 mil por mês para pessoas jurídicas
Essas informações são enviadas por meio do sistema E-financeira, ferramenta utilizada pelo governo para monitorar movimentações financeiras relevantes.
Importante destacar que essa regra não significa a criação de imposto sobre o Pix, como sugerem notícias falsas que circulam na internet. O que existe, na prática, é um aumento na capacidade de fiscalização.
O erro que mais chama atenção da Receita
Entre todos os pontos analisados pela Receita Federal, há um fator que costuma acender o alerta mais rapidamente: a incompatibilidade entre renda declarada e evolução do patrimônio.
A lógica é simples. Se o patrimônio de um contribuinte cresce significativamente em determinado período, espera-se que exista renda compatível com esse aumento.
Caso contrário, o sistema da Receita pode identificar a inconsistência e direcionar a declaração para análise mais detalhada.
Como evitar problemas na declaração
Especialistas recomendam alguns cuidados básicos para evitar cair na malha fina:
- manter coerência entre renda declarada e patrimônio acumulado
- registrar corretamente rendimentos recebidos de pessoas físicas
- declarar investimentos no exterior e criptoativos
- revisar dados antes do envio da declaração
- manter histórico consistente com declarações de anos anteriores
A omissão de rendimentos ou a inconsistência de informações ao longo dos anos pode gerar uma cadeia de divergências que acaba sendo detectada pelos sistemas da Receita.
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