A regulamentação da Reforma Tributária trouxe um novo ponto de atenção para empresas e para o setor de hotelaria voltado ao turismo de negócios no Brasil. Com as novas regras, gastos com hospedagem corporativa passam a ter restrições no aproveitamento de créditos tributários, o que pode elevar diretamente o custo das viagens de trabalho.
Na prática, despesas com hospedagem deixam de ser plenamente tratadas como custos operacionais para fins de compensação tributária. A mudança pode impactar empresas que mantêm equipes em deslocamento frequente para reuniões, treinamentos, eventos e projetos fora da cidade de origem.
Turismo corporativo movimenta bilhões no país
O debate ganha força diante da relevância econômica do segmento. Em 2025, o turismo de negócios no Brasil movimentou cerca de R$ 13,7 bilhões — o maior valor da série histórica.
Desse total:
- 57,5% da receita veio dos serviços aéreos;
- 31% correspondeu à hotelaria;
- O restante envolveu locação de veículos, transfers, eventos e outros serviços ligados às viagens corporativas.
O setor é considerado estratégico para diversas cidades, especialmente aquelas que concentram centros empresariais, eventos corporativos e polos industriais.
Hospedagem corporativa no centro da discussão
Com a nova legislação, empresas podem ter menos possibilidade de compensar tributos sobre despesas com hospedagem em viagens de trabalho. Especialistas apontam que isso tende a gerar revisão nas políticas internas de deslocamento, redução de tempo de estadias e até substituição de encontros presenciais por reuniões virtuais.
Para Adriano Palma Silva, CEO do Faial Prime Suites, hotel especializado em hospedagem corporativa, a mudança exige diálogo entre o setor produtivo e o poder público.
“Quando a hospedagem necessária para o trabalho passa a ser tratada como consumo pessoal, há um efeito direto no custo das operações das empresas. Isso pode impactar não só o turismo de negócios, mas também a dinâmica econômica de cidades que recebem executivos e eventos corporativos”, afirma.
Impactos podem atingir toda a cadeia econômica
O turismo de negócios envolve uma cadeia ampla que inclui:
- Transporte aéreo e terrestre;
- Restaurantes e serviços de alimentação;
- Espaços para eventos e convenções;
- Comércio local;
- Prestadores de serviços diversos.
O aumento de custos pode reduzir a competitividade do Brasil frente a países onde despesas corporativas permitem maior aproveitamento de créditos fiscais. Em um mercado bilionário e integrado, alterações tributárias tendem a repercutir em diferentes elos da economia.
Segundo o executivo, o momento pede análise estratégica sobre os efeitos da regulamentação.
“O turismo corporativo está diretamente ligado à geração de negócios, empregos e investimentos. Qualquer aumento de custo precisa ser avaliado com cuidado para que não se torne um freio ao desenvolvimento econômico”, destaca.
Eficiência e custo-benefício ganham protagonismo
Diante do novo cenário, hotéis voltados ao público corporativo tendem a buscar diferenciais competitivos para manter a atratividade. Estrutura funcional, localização estratégica, processos ágeis e serviços adaptados à rotina empresarial passam a ter ainda mais peso na decisão das companhias.
A tendência é que empresas priorizem:
- Estadas mais curtas;
- Negociação de tarifas corporativas;
- Parcerias estratégicas com redes hoteleiras;
- Maior controle sobre políticas internas de viagem.
Enquanto entidades empresariais acompanham os desdobramentos da regulamentação e defendem ajustes na legislação, o setor hoteleiro se prepara para um ambiente que exige adaptação e reposicionamento.
O turismo de negócios segue como um dos motores da economia brasileira. As próximas definições sobre a aplicação prática da reforma tributária devem indicar o tamanho real do impacto para empresas, hotéis e cidades que dependem desse segmento.
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