Revisão da Usina 7 mobiliza 1,4 mil trabalhadores e pressiona mercado imobiliário de Tubarão

Obra da Diamante Energia começa nesta segunda-feira (2), atrai em torno de 590 profissionais de fora e amplia demanda por moradia na região

Leticia Matos

Publicado em: 28 de fevereiro de 2026

9 min.
Revisão da Usina 7 mobiliza 1,4 mil trabalhadores e pressiona mercado imobiliário de Tubarão. - Fotos: Divulgação

Revisão da Usina 7 mobiliza 1,4 mil trabalhadores e pressiona mercado imobiliário de Tubarão. - Fotos: Divulgação

A revisão parcial da Unidade Geradora 7 (UG7) da Usina Termelétrica Jorge Lacerda, em Capivari de Baixo, começa nesta segunda-feira (2) e deve mobilizar 1,4 mil trabalhadores ao longo de 80 dias. A obra, conduzida pela Diamante Energia, ocorre após a unidade ultrapassar o limite operacional de 30 mil horas de funcionamento e já provoca reflexos diretos na economia de Tubarão e região, especialmente no setor imobiliário e hoteleiro.

Do total de profissionais envolvidos, em torno de 590 vêm de fora da região, o que tem gerado forte pressão sobre a oferta de moradias temporárias e causado superlotação em hotéis de Tubarão e Capivari de Baixo.

Impacto imediato no mercado de moradia

A chegada de centenas de trabalhadores de fora da região intensificou uma pressão que já vinha sendo sentida no mercado imobiliário local.

Jhasmar Felippe, coordenador do Núcleo das Imobiliárias da Associação Empresarial de Tubarão (ACIT), afirma que, mesmo sem estatísticas oficiais específicas sobre a obra da Diamante Energia, o cenário atual já é de forte desequilíbrio entre oferta e demanda.

Segundo ele, pesquisas locais indicam que os aluguéis acumulam alta de cerca de 30% acima da inflação nos últimos três anos, impulsionados pelo crescimento populacional e pela imigração para as duas cidades.

Tubarão, de acordo com o empresário, enfrenta déficit habitacional superior a 8 mil moradias para todas as classes sociais.

“A produção de habitação não consegue acompanhar o fluxo populacional. A busca pelos poucos imóveis disponíveis aumenta e, inevitavelmente, o preço sobe pela regra da oferta e demanda”, explica.

Hotéis lotados e escassez de imóveis

Com a dificuldade de encontrar casas e apartamentos para locação temporária, parte dos trabalhadores está recorrendo à rede hoteleira, que registra alta taxa de ocupação nos últimos dias.

Embora não haja dados consolidados sobre a ocupação atual, o setor imobiliário relata procura intensa por imóveis de curto prazo, especialmente em Tubarão, Capivari de Baixo, Jaguaruna e Laguna.

O cenário reforça uma realidade estrutural da região: além do déficit habitacional, há escassez de áreas e galpões industriais disponíveis.

Por que a revisão está sendo feita agora?

De acordo com a Diamante Energia, a UG7 acumulava 30.284 horas de operação sincronizada até 4 de janeiro deste ano, superando o limite de 30 mil horas previsto para a realização da revisão obrigatória dos ativos da usina.

O cronograma da intervenção vai de 2 de março a 19 de maio deste ano, totalizando 80 dias corridos — 72 dias de execução dos serviços e oito dias destinados a testes finais e procedimentos operacionais de retorno.

A empresa afirma que a revisão é necessária para garantir a confiabilidade operacional e a segurança das equipes e equipamentos.

O que será feito na Usina 7

O escopo da obra inclui uma série de manutenções preventivas e corretivas consideradas mandatórias. Entre os principais serviços estão:

  • Substituição de tubos e painéis da caldeira
  • Limpeza química dos tubos da caldeira
  • Avaliação de integridade metalúrgica das redes de alta energia (níveis II e III)
  • Troca de todos os cestos do aquecedor regenerativo
  • Revisão do turboalternador
  • Modernização do sistema de controle do By-Pass da turbina
  • Atualização do monitor de valor limite
  • Modernização dos painéis das remotas

Segundo a Diamante Energia, os 1.400 trabalhadores envolvidos são terceirizados, contratados por empresas especializadas responsáveis também pela gestão da mão de obra e da acomodação dos profissionais.

Oportunidades e gargalos para o desenvolvimento

O aquecimento econômico impulsionado por obras de grande porte como a da Usina 7 tende a gerar efeitos positivos no comércio e na arrecadação de impostos. A Diamante Energia destaca que várias empresas envolvidas na revisão são da própria região, o que amplia a circulação de renda local.

Entretanto, o setor empresarial alerta que a falta de planejamento urbano e de expansão habitacional pode limitar o crescimento.

Segundo o Núcleo das Imobiliárias, nos últimos seis meses Tubarão deixou de receber dois grandes centros de distribuição — de uma rede de farmácias e do Mercado Livre — que poderiam gerar novos empregos e mais de 50 mil metros quadrados de galpões industriais.

Para o setor, é urgente a atualização do Plano Diretor, a criação de áreas destinadas à instalação de empresas e a ampliação de políticas que facilitem a construção de moradias, inclusive dentro do programa Minha Casa Minha Vida, para diferentes faixas de renda.

Crescimento econômico em curso

Dados do Sine, CDL e Sindilojas apontam mais de mil vagas de emprego abertas há mais de um ano nas duas cidades, o que evidencia a expansão econômica regional e, ao mesmo tempo, a escassez de mão de obra e de moradias.

A revisão da Usina 7, embora temporária, funciona como catalisador desse movimento, evidenciando tanto o potencial de desenvolvimento quanto os desafios estruturais que Tubarão e Capivari de Baixo precisam enfrentar para acompanhar o ritmo de crescimento de Santa Catarina.

A tendência, segundo o setor imobiliário, é de manutenção do cenário atual no curto prazo, enquanto a sociedade civil organizada pressiona por soluções estruturais para evitar que o déficit habitacional se torne um entrave ainda maior ao desenvolvimento regional.


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