A crise enfrentada pela cadeia produtiva do arroz em Santa Catarina entrou no centro da agenda do governo estadual após reunião realizada nesta semana com o governador Jorginho Mello. O encontro reuniu representantes do setor e lideranças políticas, entre elas o deputado estadual José Milton Scheffer. Os desdobramentos da conversa foram detalhados pelo presidente do Sindicato da Indústria do Arroz de Santa Catarina (SindArroz), Valmir Rampinelli, em entrevista concedida nesta quinta-feira (15), à Rádio Cidade em Dia 89.9 FM, do Grupo SCTODODIA de Comunicação, ao jornalista Denis Luciano.
Segundo Rampinelli, a avaliação do encontro foi positiva e trouxe sinalizações concretas do governo estadual diante do cenário considerado crítico para produtores e indústrias do arroz. De acordo com ele, o governador demonstrou conhecimento prévio das dificuldades do setor e se mostrou disposto a aprofundar o diálogo, inclusive com agendas regionais e articulações em nível federal.
Governo sinaliza medidas para amenizar crise
Entre os principais encaminhamentos apresentados pelo governo do Estado estão a viabilização de pesquisas para estimular novas formas de consumo do arroz, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc), além da criação de linhas de crédito específicas e subsidiadas para os produtores.
Outra medida discutida foi o financiamento de sementes para a próxima safra, considerada essencial para garantir a continuidade da produção e evitar uma ruptura na cadeia produtiva. Rampinelli destacou que muitos agricultores enfrentam atualmente uma equação insustentável, colhendo o arroz com custos elevados e vendendo o produto abaixo do valor investido.
Crédito presumido e remuneração do produtor
Durante a reunião, o setor também reivindicou a retomada do crédito presumido que vigorava antes de 2018. Segundo o presidente do SindArroz, o secretário de Estado da Fazenda, Cleverson Siewert, sinalizou abertura para discutir a formalização desse mecanismo, com o objetivo de melhorar a remuneração do produtor e reduzir prejuízos acumulados.
Para Rampinelli, a valorização do agricultor é fundamental não apenas para o setor, mas para a economia regional como um todo. Municípios do Sul catarinense, como Turvo, Meleiro, Nova Veneza e Forquilhinha, têm forte dependência da rizicultura, e a retração do setor afeta diretamente o comércio, a arrecadação municipal e a geração de empregos.
Articulação com o governo federal e exportações
Outro ponto considerado estratégico foi a possibilidade de articulação com o governo federal. O governador Jorginho Mello se colocou à disposição para intermediar uma audiência com o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, além de apoiar uma agenda junto ao vice-presidente Geraldo Alckmin.
A intenção, segundo Rampinelli, é iniciar tratativas para ampliar a exportação do arroz catarinense, especialmente para países da África, mercado que tem aumentado o consumo do produto e demonstra interesse no abastecimento externo. Entidades de outros estados, como Rio Grande do Sul, além da Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz), devem integrar esse movimento para fortalecer a representação do setor.
Agenda regional segue no Sul do Estado
Como desdobramento imediato da reunião, o governador cumpre agenda em Turvo, onde deve ouvir produtores da região e aprofundar o diagnóstico da crise. Representantes do SindArroz também acompanham os compromissos, reforçando as demandas já apresentadas.
Para o presidente da entidade, a manutenção do diálogo e a união das entidades representativas são decisivas para evitar oscilações bruscas no mercado e garantir estabilidade à cadeia produtiva do arroz em Santa Catarina.
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