União Europeia aprova acordo comercial com o Mercosul após 26 anos de negociação

O apoio ao acordo ocorreu apesar da resistência de alguns países, liderados pela França.

Eduardo Fogaça

Publicado em: 9 de janeiro de 2026

5 min.
União Europeia aprova acordo comercial com o Mercosul após 26 anos de negociação. Foto: REUTERS/Yves Herman/File Photo

União Europeia aprova acordo comercial com o Mercosul após 26 anos de negociação. Foto: REUTERS/Yves Herman/File Photo

Os países da União Europeia aprovaram, nesta sexta-feira (9), um acordo comercial com o Mercosul, abrindo caminho para a assinatura do maior tratado de livre-comércio da história do bloco europeu. A decisão foi formalizada durante uma reunião de embaixadores da UE, em Bruxelas, segundo informações de agências internacionais que citaram diplomatas e fontes oficiais do bloco.

O apoio ao acordo ocorreu apesar da resistência de alguns países, liderados pela França. Ainda assim, os Estados-membros têm até as 13h (horário de Brasília) para confirmar formalmente seus votos por escrito. Mesmo após essa etapa, o tratado ainda precisará ser aprovado pelo Parlamento Europeu para entrar em vigor.

Negociação histórica após décadas de impasse

O acordo entre União Europeia e Mercosul encerra um processo de negociações que se arrastou por 26 anos. O Mercosul é formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Juntos, os dois blocos pretendem criar a maior área de livre-comércio do mundo, abrangendo cerca de 700 milhões de pessoas.

De acordo com a imprensa internacional, França, Polônia, Áustria, Hungria e Irlanda votaram contra o acordo, enquanto a Bélgica optou pela abstenção. Mesmo com essas posições, o número de países favoráveis foi suficiente para garantir a aprovação.

Salvaguardas para proteger a agricultura europeia

O avanço do acordo só foi possível após a adoção de salvaguardas para proteger o mercado agrícola europeu. As medidas preveem mecanismos automáticos de proteção caso haja um aumento significativo das importações provenientes do Mercosul.

A Itália liderou um pedido para reduzir o percentual que aciona essas salvaguardas, baixando o gatilho de 8% para 5% de aumento nas importações. Até o momento, não há confirmação se essa alteração será incorporada ao texto final do tratado.

Impactos econômicos e geopolíticos

Para Bruxelas, o acordo é considerado um avanço estratégico em um cenário de maior instabilidade no comércio global, marcado pelo aumento de tarifas adotadas pelos Estados Unidos e pela crescente influência da China na América Latina.

Entre os setores europeus que podem se beneficiar estão a indústria automotiva, aviação, máquinas e exportações agrícolas, como vinhos e queijos, que terão redução de tarifas para acesso aos mercados do Mercosul.

Próximos passos

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, deve viajar ao Paraguai na próxima semana para a assinatura oficial do acordo. Após essa etapa, o texto seguirá para análise e votação no Parlamento Europeu.

Além disso, partes do tratado que vão além da política comercial também precisarão ser ratificadas pelos parlamentos nacionais dos países-membros da União Europeia, o que pode estender o processo até a implementação definitiva.


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