Queda no hábito da leitura avança no mundo e acende alerta global

Estudos apontam impactos diretos na saúde mental, na cognição e na qualidade de vida da população

Leticia Matos

Publicado em: 5 de fevereiro de 2026

7 min.
Queda no hábito da leitura avança no mundo e acende alerta global. - Imagem gerada por I.A.

Queda no hábito da leitura avança no mundo e acende alerta global. - Imagem gerada por I.A.

A leitura de livros, atividade historicamente associada ao desenvolvimento intelectual e ao bem-estar, vem registrando uma queda expressiva em diferentes regiões do mundo. Dados recentes de pesquisas realizadas nos Estados Unidos, Europa e Brasil indicam que cada vez menos pessoas mantêm o hábito de ler por prazer, tendência que preocupa especialistas em saúde, educação e políticas públicas.

Um estudo conduzido pela Universidade da Flórida em parceria com o University College London revelou que, nos Estados Unidos, o número de pessoas que leem regularmente caiu mais de 40% nas últimas duas décadas. O levantamento aponta ainda que a redução ocorre de forma contínua, com retração média anual de cerca de 3%. Para a diretora do Centro de Artes em Medicina da Universidade da Flórida, Jill Sonke, o cenário é “significativo e muito preocupante”.

Desigualdade no acesso à leitura

A pesquisa também evidencia que a queda no hábito da leitura não ocorre de maneira uniforme. Afro-americanos, pessoas com menor renda ou escolaridade e moradores de áreas rurais foram os grupos mais afetados. Segundo a pesquisadora Jessica Bone, da University College London, mesmo entre mulheres e pessoas com maior nível educacional — tradicionalmente mais leitoras — já é possível observar mudanças negativas no comportamento.

No Brasil, os números seguem a mesma direção. A mais recente edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro, mostrou que, em 2024, 53% dos entrevistados se declararam não leitores, enquanto apenas 47% afirmaram ler livros nos momentos de lazer. Em 2019, o cenário era inverso, com maioria de leitores.

Apesar da queda generalizada, o levantamento aponta duas exceções: as faixas etárias de 11 a 13 anos e de pessoas com mais de 70 anos foram as únicas que não registraram redução no número de leitores. Entre os sexos, as mulheres continuam lendo mais do que os homens, somando cerca de 50 milhões de leitoras no país, contra 43 milhões de leitores do sexo masculino.

Europa também registra retração

Na Europa, uma pesquisa de 2024 do Eurostat, órgão oficial de estatísticas da União Europeia, revelou que quase metade da população do bloco não leu sequer um livro ao longo de um ano. O hábito varia significativamente entre os países: Irlanda, Finlândia, Suécia, França, Dinamarca e Luxemburgo lideram os índices de leitura, enquanto Itália, Chipre e Romênia aparecem nas últimas posições.

O estudo também aponta diferenças relacionadas à idade e ao gênero. Jovens entre 16 e 29 anos leem mais do que pessoas acima de 65 anos, e as mulheres mantêm uma frequência de leitura superior à dos homens, padrão observado tanto na Europa quanto nos Estados Unidos.

Livro físico ainda é maioria

Mesmo com o avanço da tecnologia, os livros impressos continuam sendo a preferência dos leitores. Na Europa, o número de pessoas que compram livros físicos é mais que o dobro daqueles que optam por e-books ou audiolivros. Pesquisas científicas reforçam essa escolha: um estudo da Universidade de Valência, que analisou dados de mais de 450 mil participantes, concluiu que a leitura em papel proporciona melhor compreensão do texto e processamento mais profundo do conteúdo, especialmente entre crianças em idade escolar.

Benefícios da leitura para a saúde

Especialistas alertam que a redução no hábito da leitura pode trazer consequências diretas para a saúde. Estudos indicam que ler regularmente ajuda a reduzir o estresse, melhora a memória, protege contra o declínio cognitivo e pode até aumentar a expectativa de vida.

Uma pesquisa da Escola de Saúde Pública da Universidade de Yale apontou que pessoas com hábito de leitura vivem, em média, 23 meses a mais do que aquelas que não leem, independentemente de fatores como renda, escolaridade ou condições básicas de saúde. Pesquisadores explicam que a leitura, especialmente de romances, estimula conexões sociais e emocionais, funcionando como uma forma de exercício mental capaz de reduzir os efeitos da solidão — fator de risco comparável ao tabagismo e à obesidade.

Diante dos dados, especialistas defendem políticas públicas e iniciativas educacionais que incentivem a leitura desde a infância, como forma de preservar não apenas a cultura, mas também a saúde e a qualidade de vida da população.


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