O prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, anunciou nesta quinta-feira (19) sua desfiliação do PSD, após uma semana de crise interna no partido em Santa Catarina. A decisão ocorre depois de um ultimato do prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), que condicionou sua pré-candidatura ao governo do Estado à saída de Topázio da legenda.
Em carta aberta, o prefeito da capital afirmou que o partido se tornou “refém de um projeto sem sentido” e criticou a condução política interna, destacando divergências estratégicas e ideológicas.
Entenda os motivos da saída
Na carta de desfiliação, Topázio listou os principais motivos que o levaram a deixar o PSD:
- Pressão interna para sua saída ou expulsão
- Discordância da pré-candidatura de João Rodrigues ao governo
- Defesa de união da direita em torno do governador Jorginho Mello (PL)
- Críticas à decisão nacional do PSD de lançar candidatura própria à Presidência
Segundo o prefeito, houve tentativa de intimidação por parte de integrantes do partido, o que motivou sua decisão definitiva de deixar a sigla.
Críticas à direção do partido
Topázio também direcionou críticas à liderança estadual e nacional do PSD. Ele citou o presidente nacional, Gilberto Kassab, ao questionar a estratégia de lançar candidatura própria à Presidência da República, em vez de apoiar nomes alinhados à direita.
Além disso, afirmou que a possível candidatura de João Rodrigues ao governo pode prejudicar o desempenho do partido nas eleições proporcionais, especialmente para a Câmara dos Deputados.
Crise interna e tentativa de expulsão
A saída ocorre após movimentações internas no PSD para discutir a permanência do prefeito. Um pedido formal de expulsão chegou a ser protocolado por um vereador de Chapecó.
A executiva estadual ainda avaliava alternativas, como um possível afastamento temporário, mas Topázio optou por antecipar o desfecho e oficializar sua saída.
Aliança com Jorginho Mello segue firme
Reeleito em 2024 com 58,4% dos votos, Topázio Neto reforçou na carta seu apoio ao governador Jorginho Mello e defendeu a continuidade da aliança com o PL.
Ele destacou que a parceria entre PSD e PL já vinha sendo construída desde sua eleição municipal e criticou a mudança de rumo do partido em Santa Catarina.
Impactos no cenário político catarinense
A saída de Topázio do PSD deve intensificar a disputa política no Estado, especialmente com a aproximação das eleições de 2026. O movimento evidencia:
- Fragmentação interna no PSD
- Reforço de alianças com o PL
- Possível reorganização de forças na direita catarinense
O cenário segue indefinido, com desdobramentos esperados tanto no âmbito estadual quanto nacional.
Confira a íntegra da carta de Topázio
À Executiva do Diretório Estadual do PSD de Santa Catarina
Através desta carta aberta, encaminho formalmente meu pedido de desfiliação do Partido Social Democrático. Abaixo, minhas razões.
Política para mim é diálogo, gratidão e respeito. Considero a palavra dada o bem mais valioso de um homem público. E tenho repulsa aos que acreditam que política se faz com truculência, intimidação e socos na mesa. Nos últimos dias, integrantes do meu partido decidiram agir dessa forma comigo, como retaliação às posições que defendo. Como é de conhecimento geral, o Presidente Estadual do PSD de Santa Catarina, em conluio com o Prefeito de Chapecó, passou a exigir minha expulsão imediata do partido. Ainda que perplexo, considero essa grotesca encenação uma medalha: eu sei quem sou, e sei também a forma que eles costumam fazer política. Recuso o silêncio que tentam me impor por discordar de uma candidatura do partido ao Governo do Estado. Apesar das ameaças pessoais, não me intimido e nem me omito.
Como dirigente do PSD, não posso deixar de alertar sobre os danos devastadores que essa decisão poderá causar às chances de vitória dos nossos candidatos a deputado e deputada na próxima eleição. Ao se tornar candidato de si mesmo, o prefeito de Chapecó transformou seus companheiros de partido em reféns de um projeto sem sentido, escancarando o que tantos comentam em voz baixa: seu ego, vaidade e sua sede de poder valem mais que o bem coletivo. É a isso que me oponho de forma convicta, porém respeitosa e civilizada. Por justiça, dou ao Prefeito de Chapecó o direito à ignorância sobre minhas intenções. É possível que não tenha conseguido compreender as razões que me levaram a propor um caminho alternativo às suas desconexas e inconsequentes atitudes.
Há dois anos, defendo, de forma pública e transparente, o que acredito ser o melhor projeto para o bem de Santa Catarina: o apoio à reeleição do Governador Jorginho Mello. Esta decisão compartilhei, desde o primeiro minuto, com o Presidente Gilberto Kassab e o Deputado Júlio Garcia. De ambos, recebi compreensão, respaldo e anuência. É de conhecimento de todos que essa parceria harmoniosa entre o PL e o PSD nasceu durante a minha vitoriosa eleição a Prefeito de Florianópolis, em 2024. Portanto, muito anterior a qualquer manifestação de uma pré-candidatura do PSD ao governo do estado. Por isso, repudio o rótulo de traidor que tentam, de forma covarde, me imputar. Apoio o Governador Jorginho por que provou que é um gestor competente e um trabalhador obstinado. Seu governo é transformador e, seguramente, o maior parceiro das prefeituras na história de Santa Catarina. São investimentos gigantescos e milhares de obras espalhadas por todos os 295 municípios do estado, sem qualquer discriminação, seja ideologica ou política. Por que não ter a humildade e reconhecer quem está trabalhando direito?
Por isso, cabe a pergunta: em nome do quê alguém propõe trocar um governo cuja gestão é a mais bem avaliada do país, com mais de 75% de aprovação popular? Aliás, qual projeto de estado o prefeito apresentou até o momento? A mim, nenhum. O que propõe de forma planejada e aprofundada? Desconheço. Além de bravatas, só ouço o seu silêncio sobre os temas que, verdadeiramente, interessam ao povo catarinense. Minha decisão de desfiliação traz ainda uma outra razão fundamental: a forte indicação que o PSD não irá apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro a Presidente da República. Nesse momento em que as forças de direita no Brasil deveriam se unir em torno de um nome sólido e viável, o PSD vai na direção contrária ao que deseja o eleitor catarinense.
Para finalizar, reafirmo que sou de construir pontes e aproximar pessoas. Por isso, jamais me perdoaria se uma decisão minha causasse qualquer desarmonia dentro do meu partido, ainda que alinhada com nossas principais lideranças. Diante disso, reitero meu pedido de desligamento imediato dos quadros do PSD. Que Deus abençoe Santa Catarina.
Florianópolis, 19 de março de 2026.
Topázio Silveira Neto
Prefeito da capital dos catarinenses
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