Em março de 2026, completam-se 22 anos da passagem do Furacão Catarina, o primeiro furacão registrado no Atlântico Sul. O fenômeno atingiu o litoral de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul em março de 2004, marcando a história da meteorologia brasileira como um evento sem precedentes.
Na época, especialistas da Epagri/Ciram enfrentaram um dos maiores desafios científicos do país. A partir de imagens de satélite e modelos numéricos, a equipe identificou uma formação incomum no oceano. Inicialmente classificada como uma depressão extratropical, o sistema evoluiu e passou a apresentar características tropicais, algo até então considerado improvável na região.
Diante do cenário inédito, os meteorologistas tiveram papel decisivo ao reinterpretar os dados e emitir alertas à Defesa Civil e à população. Um dos principais obstáculos foi comunicar a gravidade da situação, já que a formação de um furacão no Atlântico Sul não era prevista pelos modelos tradicionais.
Avanços em comunicação e monitoramento
Passadas mais de duas décadas, o cenário mudou significativamente. Segundo a meteorologista Marilene de Lima, os principais avanços estão na rapidez da comunicação e no monitoramento em tempo real das condições climáticas.
Hoje, Santa Catarina conta com uma ampla rede de monitoramento, que inclui satélites, radares e estações meteorológicas automáticas. Esses dados são disponibilizados ao público por meio de plataformas como o site do Ciram e o sistema AgroConnect, permitindo que qualquer cidadão acompanhe informações sobre vento, chuva e temperatura.
Além disso, a divulgação de boletins meteorológicos se tornou mais dinâmica. Atualizações são feitas diariamente — e, em situações extremas, várias vezes ao dia — por meio de redes sociais, vídeos e grupos de mensagens, ampliando o alcance das informações.
Combate à desinformação
Outro aprendizado importante deixado pelo Furacão Catarina foi a necessidade de combater a desinformação. Ainda em meados dos anos 2000, já havia circulação de conteúdos distorcidos em plataformas digitais da época.
De acordo com Marilene, a experiência levou a mudanças na forma de comunicar. Atualmente, as informações divulgadas incluem data e contexto, dificultando alterações indevidas e reforçando a credibilidade das atualizações oficiais.
Desafios atuais e futuros
Apesar dos avanços tecnológicos, eventos climáticos extremos ainda representam desafios. Fenômenos de rápida formação, muitas vezes influenciados por condições locais como relevo e aquecimento, continuam sendo difíceis de prever com antecedência.
Mesmo assim, a meteorologista destaca que a estrutura atual é mais preparada. A integração entre monitoramento, comunicação e atuação da Defesa Civil permite respostas mais rápidas e eficientes, reduzindo riscos à população.
Um divisor de águas na meteorologia
O Furacão Catarina permanece como um marco na história do Brasil. Mais do que os impactos causados em 2004, o evento deixou lições importantes que contribuíram para o fortalecimento da meteorologia e da gestão de riscos em Santa Catarina.
Com fenômenos climáticos cada vez mais intensos e frequentes, o legado do Catarina reforça a importância da ciência, da comunicação eficiente e da preparação da sociedade diante de eventos extremos.
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