8M mobiliza Itajaí contra feminicídio e violência de gênero

Manifestação no Centro integra agenda nacional do Dia da Mulher e cobra políticas públicas diante do recorde de mortes no Brasil

Redação

Publicado em: 6 de março de 2026

6 min.
8M mobiliza Itajaí contra feminicídio e violência de gênero. - Foto: Arquivo/Movimento Elas

8M mobiliza Itajaí contra feminicídio e violência de gênero. - Foto: Arquivo/Movimento Elas

O Movimento Elas promove neste sábado (7), a partir das 10 horas, uma manifestação no Centro de Itajaí contra o feminicídio, a violência doméstica e outras formas de agressão contra mulheres. O ato integra a mobilização nacional do Movimento 8M, organizada em referência ao Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março.

A concentração ocorre em frente ao chafariz da Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento. A programação inclui intervenções artísticas, cortejo pelo calçadão da Hercílio Luz e encerramento na Praça do Marco Zero. No domingo (8), haverá mobilização também em Balneário Camboriú, às 9h30, na Praça Almirante Tamandaré.

Programação prevê arte, música e falas públicas

A agenda do sábado será dividida em etapas:

  • 10h: intervenção artística da artista plástica e arte-educadora Silvana Rocha, em frente à Igreja Matriz;
  • 10h30: ato simbólico em frente ao Museu Histórico de Itajaí, com participação do grupo de maracatu Baque Mulher e leitura de dispositivos legais e letras de músicas relacionadas ao enfrentamento da violência de gênero;
  • Cortejo: caminhada pelo calçadão da Hercílio Luz até a Praça do Marco Zero;
  • Encerramento: intervenções artísticas, distribuição de zines e falas de representantes do Movimento Elas, do bloco A Vida Presta, do coletivo Mulheres do Litoral, lideranças políticas e integrantes de sindicatos da região;
  • 20h30: continuidade da mobilização durante o Samba de Bárbara, no Mercado Público.

Segundo a comissão organizadora, o objetivo é transformar o espaço público em ambiente de reflexão e mobilização social.

Recorde de feminicídios no Brasil em 2025

A mobilização ocorre em meio a dados considerados alarmantes. Em 2025, o Brasil registrou o maior número de feminicídios desde que o crime passou a ser tipificado, em 2015. Dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça, apontam cerca de 1.470 mulheres assassinadas por razões de gênero no ano passado — média de quatro mortes por dia.

O cenário reforça a cobrança por políticas públicas mais efetivas de prevenção, proteção e responsabilização dos agressores.

Especialistas indicam que, na maioria dos casos, o feminicídio ocorre no ambiente doméstico e costuma ser precedido por histórico de agressões, ameaças ou descumprimento de medidas protetivas.

Santa Catarina também registra alta nos casos

Em Santa Catarina, levantamento do Observatório da Violência Contra a Mulher da Assembleia Legislativa, com base em dados da Secretaria de Segurança Pública, contabilizou 52 feminicídios em 2025.

Apenas em janeiro de 2026, cinco casos já haviam sido registrados no Estado. Na região da Foz do rio Itajaí-Açu, ocorrências confirmadas ou investigadas como feminicídio foram registradas em municípios como Itajaí, Penha, Navegantes e Balneário Camboriú.

Embora não exista um painel público consolidado específico para a Associação dos Municípios da Região da Foz do Rio Itajaí (Amfri), os casos noticiados indicam que a violência de gênero atinge diferentes perfis de cidades — portuárias, turísticas e industriais.

Mobilização vai além da data simbólica

O Movimento 8M se define como uma articulação feminista internacional e interseccional, que reúne mulheres cis e trans, pessoas não binárias, negras, indígenas, trabalhadoras e periféricas. A pauta nacional deste ano concentra-se no combate aos feminicídios e na defesa de políticas públicas efetivas.

Integrantes do movimento defendem que o 8 de março deve ser compreendido não apenas como data comemorativa, mas como momento de cobrança institucional e de mobilização social.

Para os organizadores, a manifestação busca reforçar que o direito das mulheres à vida, ao trabalho e à participação política depende da garantia de segurança e do enfrentamento estrutural à violência de gênero.


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