Na manhã desta terça-feira (24), Tubarão relembrou uma das maiores tragédias de sua história durante o 17º Seminário da Enchente de 1974, desastre que deixou 199 mortos e marcou profundamente o município do Sul catarinense.
A cobertura do evento contou com a presença do repórter Matheus Machado, da Rádio Cidade Tubarão 103.7 FM.
O evento reuniu moradores, autoridades e especialistas para discutir os impactos da enchente histórica e, principalmente, as medidas necessárias para evitar que uma nova catástrofe se repita. Mais de meio século depois, o tema segue atual e levanta preocupações sobre a preparação da cidade diante de eventos climáticos extremos.
Relatos de quem viveu a tragédia
Um dos momentos mais marcantes do seminário foi o depoimento de José dos Passos, morador de Tubarão que, à época, tinha 16 anos e presenciou cenas dramáticas durante a enchente.
Segundo ele, a força da água destruía casas em sequência. “Próximo ao campo do Noroeste, uma casa batia na outra e levava mais casas. Foram três, quatro seguidas”, relembrou.
Outro episódio citado foi a formação de uma espécie de vala com correnteza intensa em uma rua sem pavimentação, que permaneceu ativa por cerca de 60 dias. “Aquilo marcou muito. Eu era jovem, mas são coisas que não se esquecem”, afirmou.
Impacto duradouro na população
Além da destruição material, a enchente deixou marcas emocionais profundas nos moradores. José relatou que caminhou até o Centro da cidade no dia da tragédia e viu o nível da água subir rapidamente.
“Quando chegamos perto da ponte, a água já estava pela canela. Tinha ruas em que, se a pessoa bobeasse, era levada pela correnteza”, contou.
O morador destacou ainda a importância de compartilhar esses relatos com as novas gerações. Para ele, participar do seminário foi uma forma de contribuir com a memória coletiva da cidade.
Risco de nova enchente preocupa
Durante o evento, também foram levantadas preocupações sobre o crescimento urbano e a ocupação de áreas que antes serviam para o escoamento da água.
José alertou que a situação atual pode agravar os impactos de uma eventual nova enchente. “Antes, havia áreas como as granjas de arroz, que ajudavam a escoar a água. Hoje, esses espaços foram ocupados por casas”, explicou.
Ele citou ainda os recentes desastres no Rio Grande do Sul como um sinal de alerta. “Se acontecer de novo, pode ser pior do que em 1974. Hoje não temos mais para onde a água ir”, afirmou.
Debate segue sem avanços concretos
Apesar das discussões recorrentes ao longo dos anos, moradores apontam que poucas medidas práticas saíram do papel. O seminário reforçou a necessidade de planejamento urbano, obras de prevenção e políticas públicas efetivas.
Enquanto isso, a memória da enchente de 1974 segue viva em Tubarão — não apenas como lembrança histórica, mas como um alerta constante sobre os riscos que ainda existem.
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