BC tem o m² mais caro do Brasil: R$ 12.335; Itapema é o 2º ponto mais caro

Cidade encanta investidores, mas preocupa moradores locais

Imagem ilustrativa criada com Inteligência Artificial.
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Após a expansão da faixa de areia, Balneário Camboriú conquista o título de possuir o metro quadrado mais caro do Brasil. Essa valorização atrai investidores, transformando a cidade em um paraíso para o mercado imobiliário. No entanto, os altos preços tornam a aquisição de propriedades um sonho distante para muitos moradores locais.

Com um preço médio de R$ 12.335 por metro quadrado, Balneário Camboriú lidera o ranking nacional, seguida por sua vizinha, Itapema, onde o metro quadrado atingiu R$ 11.717. Esses valores superam até mesmo os de grandes centros urbanos, como São Paulo, e do icônico destino turístico brasileiro, o Rio de Janeiro.

Maurício Bellé, presidente da Associação dos Corretores Imobiliários de Balneário Camboriú, revela que, nos últimos 12 meses, a valorização média do metro quadrado atingiu impressionantes 21,27%. Isso torna o investimento em propriedades uma alternativa mais rentável e segura do que muitas opções disponíveis no mercado financeiro. Como resultado, a busca por imóveis para investimento supera a procura por residências.

Bellé observa que "70% dos clientes que procuram nossa imobiliária buscam oportunidades de investimento ou uma segunda residência em Balneário Camboriú, com a intenção de revender no futuro". Essa mudança no perfil do comprador também é vista positivamente, já que mais investidores significam mais receita fiscal, que pode ser reinvestida em melhorias nos serviços públicos para os residentes locais.

Ele acrescenta: "Muitos dos compradores não são residentes, estão investindo e, portanto, não sobrecarregam a infraestrutura da cidade, como o sistema de saúde e educação. Eles estão deixando dinheiro na cidade para benefício daqueles que vivem aqui, então vejo isso como algo positivo".

No entanto, a valorização imobiliária também tem seu lado negativo. Os preços dos apartamentos de dois quartos no centro e bairros próximos agora começam em mais de R$ 600 mil, podendo chegar a milhões. Muitas famílias que trabalham na cidade, mesmo com bons empregos, são forçadas a procurar moradias em cidades vizinhas. A publicitária Carla Gotijo Fernandes, por exemplo, adquiriu um apartamento em Camboriú devido à falta de opções acessíveis em Balneário Camboriú.

Ela diz: "Balneário Camboriú tem muitos pontos positivos, mas é triste ver que a maioria dos novos prédios não será habitada por pessoas que trabalham aqui. Apesar de ter uma boa renda, não consegui comprar uma propriedade na cidade devido aos preços exorbitantes".

O crescimento populacional das cidades vizinhas reflete essa tendência. De acordo com dados do IBGE, enquanto Balneário Camboriú viu seu crescimento populacional aumentar em 29% nos últimos 12 anos, as cidades vizinhas de Camboriú e Itajaí registraram um crescimento de 65% e 44%, respectivamente. Esse fenômeno demonstra que muitos estão seguindo o exemplo de Carla e sua família, buscando alternativas mais acessíveis nos arredores da cidade com o metro quadrado mais caro do Brasil.

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