Definir qual foi o primeiro bloco de Carnaval do Brasil é uma tarefa praticamente impossível. Isso porque, ao longo da história, diferentes manifestações populares receberam nomes variados — como cordões, ranchos, clubes e sociedades — antes de o termo “bloco” se consolidar no início do século 20.
O que se sabe é que o Carnaval brasileiro tem raízes no Entrudo, uma festa portuguesa trazida ao país ainda no século 16, durante o período colonial. O primeiro registro do Entrudo no Brasil ocorreu em Pernambuco, marcando o início de uma tradição que evoluiria ao longo dos séculos até chegar aos blocos de rua conhecidos atualmente.
Antes dos blocos: o Entrudo e os bailes de máscara
O Entrudo era celebrado antes da Quaresma e possuía duas formas principais:
- Entrudo Popular: realizado nas ruas, sem regras definidas, com brincadeiras que incluíam arremesso de água, farinha e outros materiais.
- Entrudo Familiar: praticado dentro das casas, com caráter mais social e organizado.
No século 19, com a chegada da Missão Francesa ao Brasil, surgiram os bailes de máscara inspirados na tradição europeia. Frequentados pela elite, esses eventos eram fechados, luxuosos e marcados por regras rígidas.
Foi da mistura entre o Entrudo popular e os bailes organizados que começou a se formar o Carnaval brasileiro como é conhecido hoje.
Missões carnavalescas: o embrião dos blocos
A partir de 1850, surgiram as chamadas “missões carnavalescas”. Eram grupos organizados, geralmente formados por jovens de famílias abastadas, que se reuniam em um ponto fixo e depois saíam em desfile pelas ruas rumo a bailes famosos.
Paralelamente, grupos populares também começaram a se organizar para desfilar. No entanto, até a primeira década do século 20, esses agrupamentos não tinham uma nomenclatura padronizada. Eram chamados de:
- Clubes
- Cordões
- Ranchos
- Sociedades
- Blocos
O termo “bloco” só ganhou força a partir de 1906, o que torna ainda mais difícil determinar qual teria sido o primeiro oficialmente.
Possíveis candidatos ao primeiro bloco do Brasil
Historiadores apontam alguns grupos como possíveis pioneiros. Entre eles:
1. Congresso das Sumidades Carnavalescas (1855)
Considerado uma das primeiras sociedades carnavalescas organizadas. O escritor José de Alencar esteve entre os fundadores.
2. Bloco dos Trepadores do Engenho (1906)
Apontado pelo historiador Tiago Ribeiro como o primeiro bloco formalmente reconhecido no Rio de Janeiro.
3. Grupo Carnavalesco Barra Funda (1914)
Apontado como o primeiro bloco de São Paulo. Mais tarde, deu origem à escola de samba Camisa Verde e Branco.
4. Cordão da Bola Preta (1918)
Frequentemente citado como o bloco mais antigo em atividade no Rio de Janeiro e, para muitos, o mais tradicional do país.
O Carnaval ganha forma no século 20
O Carnaval brasileiro continuou a evoluir ao longo do século 20. Alguns marcos importantes incluem:
- 1899: Chiquinha Gonzaga compõe “Abre Alas”, considerada precursora das marchinhas.
- 1917: Lançamento de “Pelo Telefone”, primeiro samba gravado no Brasil.
- 1928: Fundação da primeira escola de samba, a Deixa Falar, no Rio de Janeiro.
- 1950: Surgimento do trio elétrico em Salvador.
Ritmos como o samba, o frevo, o maracatu e o afoxé passaram a integrar a identidade carnavalesca brasileira, consolidando o país como uma das maiores referências mundiais da folia.
Afinal, qual foi o primeiro?
A resposta definitiva não existe. A dificuldade está justamente na evolução histórica dos termos e das formas de organização carnavalesca.
O que se pode afirmar é que o Carnaval brasileiro nasceu da combinação de tradições europeias com influências africanas e populares, e que os blocos de rua são resultado de um processo cultural construído ao longo de séculos.
Mais do que identificar um “primeiro”, compreender essa trajetória ajuda a valorizar a riqueza histórica da maior festa popular do país.
📲 Fique por dentro do que acontece em Santa Catarina!
Entre agora no nosso canal no WhatsApp e receba as principais notícias direto no seu celular.
👉 Clique aqui e acompanhe.