A investigação da Polícia Civil de Santa Catarina sobre a morte a pauladas do cão conhecido como Orelha, registrada na Praia Brava, em Florianópolis, trouxe à tona um debate sensível e urgente: o que leva adolescentes a cometerem atos de extrema crueldade contra um animal indefeso?
O caso, que segue sob apuração, provocou forte comoção e reacendeu discussões sobre responsabilidade familiar, limites na educação e a importância do acompanhamento do comportamento juvenil. Para a psicanalista e professora Elizandra Souza, autora do livro As Sombras do Eu: Psicopatologias da Maldade, episódios como esse não surgem de forma isolada e exigem uma análise mais profunda das origens psíquicas, emocionais e sociais da violência.
Atenção aos sinais dentro e fora de casa
Segundo a especialista, é fundamental que pais e responsáveis estejam atentos não apenas ao comportamento dos filhos em casa, mas também ao que ocorre no ambiente escolar. Elizandra explica que é comum haver uma discrepância entre a postura do adolescente no convívio familiar e sua conduta fora dele, especialmente na escola.
Ela destaca que, nas últimas décadas, houve uma progressiva perda de autoridade parental, o que dificulta a imposição de limites claros. Sem essa referência dentro de casa, a escola também enfrenta obstáculos para estabelecer regras e corrigir comportamentos inadequados, como conflitos frequentes e casos de bullying.
Conflito entre família e escola
Outro ponto levantado pela psicanalista é a resistência de alguns pais em aceitar notificações ou advertências aplicadas pelas instituições de ensino. Em vez de enxergar esses alertas como oportunidades de intervenção precoce, parte das famílias reage de forma defensiva, o que enfraquece a atuação da escola e agrava os problemas de convivência.
Esse cenário, segundo Elizandra Souza, contribui para o aumento de conflitos e para a formação de jovens que não reconhecem limites ou consequências de seus atos.
Responsabilização e ajuda profissional
A especialista ressalta que, mesmo sendo adolescentes, os envolvidos em atos de violência precisam ser responsabilizados. Para ela, é um equívoco acreditar que jovens não compreendem a gravidade de suas ações. No caso do cão Orelha, Elizandra afirma que os autores tinham plena consciência do sofrimento causado.
Além da responsabilização, a psicanalista defende a busca por ajuda profissional sempre que comportamentos nocivos se tornam recorrentes ou causam prejuízos a terceiros. O acompanhamento psicológico pode ajudar a identificar conflitos internos, prevenir novos episódios e orientar tanto os adolescentes quanto suas famílias.
Um alerta para a sociedade
O caso investigado pela Polícia Civil vai além de um crime contra um animal e serve como alerta para a sociedade sobre a necessidade de olhar com mais atenção para a formação emocional e ética dos jovens. Autoridade, diálogo, orientação e apoio especializado aparecem como caminhos essenciais para evitar que episódios de violência extrema se repitam.
*Reportagem: Matheus Machado
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