Condenado pelo 8 de janeiro, morador de Tubarão obtém refúgio na Argentina

Caminhoneiro condenado pelo STF a mais de 13 anos de prisão recebeu status de refugiado político concedido por órgão do governo argentino

Ewertom Rodrigues

Publicado em: 10 de março de 2026

4 min.
Morador de Tubarão condenado pelos atos de 8 de janeiro consegue refúgio político na Argentina após decisão de órgão ligado ao governo

Morador de Tubarão condenado pelos atos de 8 de janeiro consegue refúgio político na Argentina após decisão de órgão ligado ao governo. - Foto: Divulgação/Folha Regional

O caminhoneiro Joel Borges Correa, morador de Tubarão, tornou-se o primeiro brasileiro condenado pelos atos de 8 de janeiro de 2023 a obter refúgio político na Argentina. A decisão foi tomada nesta terça-feira (10) pela Comissão Nacional para Refugiados (Conare), órgão responsável por analisar pedidos desse tipo no país vizinho.

Com o reconhecimento do status de refugiado, Joel passa a ter autorização para permanecer em território argentino, enquanto durar a condição concedida. Durante esse período, medidas como deportação ou extradição ficam suspensas, até que haja nova análise judicial sobre o caso.

Condenação pelos atos em Brasília

Joel foi preso em flagrante em Brasília durante os ataques às sedes dos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023.

Após o julgamento, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou o tubaronense a 13 anos e seis meses de prisão. A sentença inclui os crimes de:

  • abolição violenta do Estado Democrático de Direito
  • golpe de Estado
  • dano qualificado
  • deterioração de patrimônio tombado
  • associação criminosa armada

Prisão na Argentina

O caminhoneiro foi preso na Argentina em novembro de 2024, após decisão da Justiça do país que atendeu a um pedido de cooperação internacional feito pelo STF.

Segundo informações das autoridades, ele foi detido durante uma blitz policial, enquanto estaria se deslocando em direção à Cordilheira dos Andes, com destino ao Chile.

Extradição ainda não é definitiva

Mais de um ano após a prisão, em dezembro de 2025, a Justiça argentina determinou a extradição de Joel e de outros quatro brasileiros ligados aos atos de 8 de janeiro.

No entanto, o processo ainda não transitou em julgado, ou seja, não há decisão final sobre o envio dos condenados ao Brasil.

Agora, com o reconhecimento do refúgio político pela Conare, a decisão será encaminhada novamente à Justiça argentina, que deverá avaliar se mantém ou suspende o processo de extradição.

Órgão que concedeu o refúgio

A Comissão Nacional para Refugiados (Conare) é vinculada ao Ministério da Segurança Nacional da Argentina e reúne representantes de diferentes áreas do governo, incluindo os ministérios do Interior e da Justiça.

O órgão também conta com participação consultiva do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), que acompanha os processos, mas não possui direito a voto.

A decisão da comissão agora passa por análise judicial, que definirá os próximos desdobramentos do caso envolvendo o brasileiro.


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