Corte de supersalários pode gerar economia bilionária, aponta estudo

No cenário mais abrangente, com aplicação imediata das mudanças, a economia estimada pode chegar a R$ 186 bilhões em dez anos

Eduardo Fogaça

Publicado em: 23 de março de 2026

4 min.
Corte de supersalários pode gerar economia bilionária, aponta estudo. Foto: Divulgação

Corte de supersalários pode gerar economia bilionária, aponta estudo. Foto: Divulgação

Um estudo encomendado pelo instituto República.org aponta que o controle dos chamados supersalários no serviço público pode gerar um impacto expressivo nas contas públicas brasileiras. A análise foi coordenada pelo pesquisador Sergio Guedes-Reis e avaliou estruturas salariais de carreiras do sistema de Justiça em 11 países, incluindo Alemanha, Estados Unidos, França e Reino Unido.

O levantamento considerou três cenários distintos para a implementação de mudanças nas regras salariais: congelamento dos vencimentos, aplicação apenas para novos servidores e adoção de medidas também para quem já está no serviço público.

No cenário mais abrangente, com aplicação imediata das mudanças, a economia estimada pode chegar a R$ 186 bilhões em dez anos e ultrapassar R$ 578 bilhões em um período de 20 anos. Já em uma hipótese mais restrita, com alterações válidas apenas para novos servidores, a economia seria de cerca de R$ 98 bilhões em uma década.

Outro cenário avaliado inclui regras que também atingem servidores atuais, por meio de mecanismos de ajuste. Nesse caso, a economia projetada é de aproximadamente R$ 169 bilhões em dez anos.

Entenda o que são os supersalários

Apesar da existência de um teto constitucional no Brasil — equivalente ao salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) — muitos servidores públicos recebem valores acima desse limite. Isso ocorre devido a adicionais e verbas indenizatórias, popularmente conhecidos como “penduricalhos”.

Esses benefícios extras acabam elevando a remuneração final, ultrapassando o teto previsto na Constituição.

Comparação internacional

O estudo também revela que o Brasil possui regras menos rígidas para controle salarial no serviço público em comparação com outros países analisados. Nações como Alemanha, México e Reino Unido adotam mecanismos mais claros e restritivos para limitar os vencimentos no setor público.

Debate sobre controle de gastos

Os dados reforçam o debate sobre a necessidade de revisão das regras salariais no país. Especialistas defendem que medidas mais rígidas poderiam contribuir para o equilíbrio fiscal e maior transparência nos gastos públicos.

Entre os principais pontos em discussão estão:

  • Revisão de benefícios adicionais;
  • Maior controle sobre verbas indenizatórias;
  • Aplicação efetiva do teto constitucional;
  • Criação de mecanismos de fiscalização mais rigorosos.

A discussão sobre supersalários ganha relevância em um momento de pressão sobre as contas públicas e busca por maior eficiência no uso de recursos.


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