Criciúma estuda modelo de Piracicaba para reinserção de pessoas em situação de rua

Experiência em São Paulo une acolhimento, tratamento e trabalho remunerado em serviços públicos

José Demathé

Publicado em: 16 de janeiro de 2026

6 min.

Criciúma estuda modelo de Piracicaba para reinserção de pessoas em situação de rua Foto: Divulgação

A Prefeitura de Criciúma avalia a adoção de um modelo integrado de acolhimento, tratamento e empregabilidade para pessoas em situação de rua, inspirado em uma experiência implantada no município de Piracicaba, no interior de São Paulo. O tema foi detalhado pela secretária municipal de Assistência Social, Dudi Sônego, durante entrevista concedida nesta sexta-feira (16), à Rádio Cidade em Dia 89.9 FM do grupo SCTODODIA de comunicação, em conversa com o jornalista Denis Luciano.

A entrevista ocorreu após uma visita técnica realizada nesta semana por uma comitiva liderada pelo prefeito Vaguinho Espíndola, que esteve em Piracicaba para conhecer, na prática, iniciativas voltadas à reinserção social de pessoas em vulnerabilidade extrema. Segundo a secretária, a experiência observada reforça ideias já discutidas em Criciúma, especialmente o projeto da Central do Recomeço.

Como funciona o modelo visitado em Piracicaba

De acordo com Dudi Sônego, o programa paulista atua em várias frentes simultâneas, oferecendo não apenas acolhimento, mas também oportunidades concretas de reconstrução de vida. Entre os principais pontos observados estão:

  • Frente de trabalho remunerada, voltada a pessoas que já passaram por tratamento contra a dependência química;
  • Atuação em serviços de zeladoria urbana, como capinação, limpeza de prédios públicos, pintura de meio-fio e manutenção de calçadas;
  • Oferta de alimentação diária, com refeições garantidas durante o período de trabalho;
  • Acolhimento noturno, com moradia provisória oferecida pelo município;
  • Contratos temporários, com duração de até nove meses, permitindo a rotatividade e o atendimento de mais pessoas.

Segundo a secretária, o objetivo do modelo é garantir dignidade, fortalecer a autoestima e preparar os participantes para a autonomia financeira, incluindo orientação sobre administração de recursos e reinserção no mercado formal de trabalho.

Impacto urbano e social

Um dos exemplos citados durante a entrevista foi a transformação de uma praça que, anteriormente, era ocupada majoritariamente por pessoas em situação de rua e havia deixado de ser frequentada por famílias. Após a implantação do programa, o espaço passou a receber novamente crianças e moradores da região.

“Além de mudar a vida dessas pessoas, o projeto muda a convivência comunitária e devolve os espaços públicos à população”, relatou a secretária.

Custos, legalidade e integração entre secretarias

Dudi Sônego destacou que a implementação de um programa semelhante em Criciúma exige planejamento legal e orçamentário. Como se trata de contratação temporária, é necessária a criação de uma lei específica, com aprovação do Legislativo, garantindo segurança jurídica ao processo.

A secretária também ressaltou que o trabalho é intersetorial, envolvendo áreas como Assistência Social, Saúde e Desenvolvimento Econômico, o que amplia o alcance das ações e aumenta as chances de sucesso na reinserção social.

Central do Recomeço em Criciúma

A experiência de Piracicaba, segundo a secretária, dialoga diretamente com o projeto da Central do Recomeço, anunciado pela administração municipal no final do ano passado. Em Criciúma, a iniciativa ainda está em fase de ajustes técnicos e burocráticos, incluindo a definição das edificações e adequações necessárias no espaço já existente.

A expectativa da Secretaria de Assistência Social é de que o projeto comece a funcionar ainda em 2026, após a conclusão das etapas legais e estruturais.

Situação atual em Criciúma

Sobre o cenário local, Dudi Sônego afirmou que o fluxo de pessoas em situação de rua segue relativamente estável neste período do ano. No verão, há uma leve redução devido à migração de parte dessa população para cidades do litoral. Mesmo assim, os serviços municipais continuam atuando diariamente no atendimento, identificação e encaminhamento dessas pessoas.


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