A infância brasileira enfrenta um cenário preocupante, marcado pela convivência entre desnutrição, obesidade e estagnação na queda da mortalidade infantil. Os dados fazem parte do estudo “Cenário da Infância e Adolescência no Brasil 2026”, divulgado pela Fundação Abrinq, que reúne indicadores sociais e de saúde com base em estatísticas oficiais.
O levantamento mostra que, após décadas de avanços, o país vive um momento de inflexão na garantia de direitos das crianças. Entre os principais sinais de alerta estão a interrupção da redução da mortalidade infantil, o aumento do baixo peso ao nascer e a persistência da insegurança alimentar.
Mortalidade infantil deixa de cair
Um dos pontos mais sensíveis do estudo é a estagnação da mortalidade infantil. Em 2024, a taxa permaneceu em 12,6 óbitos por mil nascidos vivos, repetindo os índices de 2022 e 2023. Já a mortalidade de crianças até 5 anos ficou em 14,9 por mil.
Após atingir 11,5 em 2020, o indicador voltou a subir e não apresentou novos avanços. Especialistas apontam que a estabilidade por três anos seguidos já representa um alerta, pois o índice está diretamente ligado às condições de vida, acesso à saúde e qualidade do pré-natal.
As desigualdades regionais também persistem. Confira os dados de 2024:
- Norte: 15,7 óbitos por mil nascidos vivos
- Nordeste: 13,5
- Centro-Oeste: 12,6
- Sudeste: 11,7
- Sul: 10,4 (menor índice do país)
Baixo peso e obesidade crescem
Outro dado preocupante é o aumento do número de bebês que nascem com baixo peso. Em 2024, 9,5% dos recém-nascidos tinham menos de 2,5 quilos — o maior percentual da série histórica.
Esse indicador está relacionado a fatores como:
- Falta de acompanhamento pré-natal adequado
- Insegurança alimentar
- Baixa renda e escolaridade
- Dificuldade de acesso a serviços de saúde
Ao mesmo tempo, o país enfrenta o avanço da obesidade infantil. Entre os principais números:
- 3,6% das crianças até 5 anos estão com baixo peso
- 11,7% apresentam déficit de crescimento
- 5,8% têm excesso de peso nessa faixa etária
- 9% das crianças de 5 a 10 anos estão obesas (mais de 588 mil casos)
O estudo destaca que a insegurança alimentar não se resume à falta de comida, mas também à má qualidade da alimentação, com maior consumo de produtos ultraprocessados.
Gravidez na adolescência recua
Em meio aos desafios, um dos poucos avanços foi a redução da gravidez na adolescência. Em 2024, 11,4% dos nascidos vivos eram de mães com até 19 anos, contra 14,7% em 2019.
A queda foi registrada em todas as regiões do país:
- Norte: de 22,1% para 18,5%
- Nordeste: de 17,8% para 13,7%
- Sudeste: 8,8%
- Sul: 8,3%
Apesar da melhora, o Brasil ainda registrou mais de 273 mil nascimentos de mães adolescentes em 2024, incluindo casos de meninas entre 10 e 14 anos.
Pobreza afeta quatro em cada dez crianças
O estudo também evidencia o impacto da pobreza na infância. Em 2024:
- 24,5% da população brasileira vivia com até meio salário mínimo
- 8% estavam em extrema pobreza
Entre crianças, os números são ainda mais graves:
- 40,9% das crianças até 6 anos vivem na pobreza
- 40,8% das crianças até 12 anos estão na mesma condição
- Cerca de 14% enfrentam pobreza extrema
A renda insuficiente compromete o acesso a alimentação, saúde, educação e moradia, afetando diretamente o desenvolvimento infantil.
Desafios exigem políticas públicas
Para especialistas, reverter esse cenário exige ações integradas, como:
- Ampliação de programas de transferência de renda
- Investimento em pré-natal e atenção básica
- Fortalecimento da merenda escolar com alimentos frescos
- Educação alimentar e nutricional
- Monitoramento contínuo dos indicadores
Segundo a Fundação Abrinq, os dados mostram a necessidade de recolocar a primeira infância no centro das políticas públicas, diante dos sinais de retrocesso em áreas essenciais.
FIQUE BEM INFORMADO:
Fique por dentro do que acontece em Santa Catarina!
Entre agora no nosso canal no WhatsApp e receba as principais notícias direto no seu celular.
Clique aqui e acompanhe.