Engenheira catarinense une inovação industrial e dança na carreira

Em entrevista à Rádio Cidade, ela explica que ciência e arte não são universos tão distantes quanto muitas pessoas imaginam

Eduardo Fogaça

Publicado em: 6 de março de 2026

7 min.
Engenheira catarinense une inovação industrial e dança na carreira. Foto: Divulgação

Engenheira catarinense une inovação industrial e dança na carreira. Foto: Divulgação

Conciliar ciência, liderança e arte pode parecer improvável para muitos profissionais. Para a engenheira catarinense Alexandra Klein, no entanto, esses caminhos sempre caminharam juntos e ajudaram a construir uma trajetória marcada por inovação, expressão artística e protagonismo feminino.

Formada e doutora em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Alexandra desenvolveu uma carreira consolidada na área de inovação industrial e tecnologia. Ao longo de mais de três décadas de atuação, participou de projetos e iniciativas voltadas ao futuro da produção e da transformação digital na indústria.

Recentemente, ela passou a integrar um conselho internacional do Fórum Econômico Mundial, que reúne especialistas para discutir os rumos da manufatura avançada e das cadeias globais de valor.

Da engenharia à dança

Mesmo com uma carreira voltada à ciência e à tecnologia, a arte também ganhou espaço na vida da engenheira. A dança surgiu alguns anos depois da formação acadêmica e, com o tempo, se transformou em uma atividade constante.

Hoje, Alexandra também atua como bailarina, coreógrafa e jurada em festivais de dança.

Em entrevista à Rádio Cidade, ela explica que ciência e arte não são universos tão distantes quanto muitas pessoas imaginam.

Segundo Alexandra, tanto as artes quanto as ciências são formas de compreender e interpretar a realidade. Apesar das diferenças de abordagem, ambas estimulam criatividade, investigação e reflexão sobre o mundo.

Para ela, engenharia e dança representam maneiras distintas, mas complementares, de explorar ideias, desenvolver disciplina e expressar percepções sobre a vida.

Presença feminina na ciência

Ao longo da carreira, Alexandra também acompanhou os desafios enfrentados por mulheres que buscam espaço nas áreas de ciência, tecnologia e inovação.

Desde março de 2025, ela integra o Conselho de Futuro Global do Fórum Econômico Mundial voltado à manufatura avançada e cadeias de valor. A participação no grupo permite acompanhar debates internacionais sobre tecnologia e desenvolvimento industrial.

Apesar de avanços recentes, Alexandra destaca que ainda existe uma lacuna significativa na presença feminina em cargos de liderança.

Dados do relatório global de desigualdade de gênero do Fórum Econômico Mundial apontam que as mulheres representam cerca de 41% da força de trabalho mundial, mas ocupam apenas 28% das posições de alta liderança.

Outro ponto observado é que, embora as mulheres tenham presença significativa no ensino superior em diversos países, essa participação nem sempre se reflete nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática — conhecidas pela sigla STEM.

Para Alexandra, o desafio está em transformar esse potencial em presença real nos espaços de decisão, inovação e liderança.

Arte como ferramenta de liderança

Além da carreira na engenharia, a dança segue como parte importante da rotina da profissional. Mais do que expressão artística, a atividade também contribui para a forma como ela enxerga processos de liderança e inovação.

Segundo Alexandra, a dança de salão — sua principal linguagem artística — ensina sobre presença, escuta e relação entre as pessoas.

Durante uma apresentação ou criação coreográfica, explica, existe um diálogo constante entre os corpos, a música e o espaço. Esse processo exige sensibilidade, atenção e confiança entre os participantes.

Na visão da engenheira, essas características também são essenciais em ambientes de inovação e liderança, que dependem de colaboração, abertura ao inesperado e coragem para experimentar novas ideias.

Trajetória que inspira novas gerações

A história de Alexandra Klein reúne diferentes áreas do conhecimento em uma única trajetória e reforça que ciência e arte podem caminhar lado a lado.

Ao unir engenharia, inovação e dança, a catarinense mostra que criatividade e pensamento técnico podem se complementar — e servir de inspiração para novas gerações, especialmente para mulheres que desejam atuar em áreas científicas e tecnológicas.


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