Epagri alerta para alta de cigarrinha no milho em Santa Catarina

Monitoramento estadual aponta média de 79 insetos por armadilha e reforça manejo preventivo nas lavouras catarinenses

Redação

Publicado em: 18 de fevereiro de 2026

5 min.
Epagri alerta para alta de cigarrinha no milho em SC. - Foto: Divulgação/Epagri

Epagri alerta para alta de cigarrinha no milho em SC. - Foto: Divulgação/Epagri

A Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) reforçou a importância do manejo inicial nas lavouras de milho diante do aumento da população de cigarrinha-do-milho no Estado. Levantamento realizado entre 26 de janeiro e 2 de fevereiro pelo programa Monitora Milho SC registrou média estadual de 79 insetos por armadilha.

De acordo com a pesquisadora da Epagri/Cepaf, Maria Cristina Canale, responsável pelo monitoramento, o crescimento populacional está dentro do esperado para o período de transição entre a colheita e a semeadura da safrinha. Ainda assim, a orientação é reduzir a presença do inseto no ambiente para evitar prejuízos à produção.

“As lavouras que se encontram entre o período de emergência até o estádio V4 estão na fase mais crítica para a infecção por patógenos que causam os enfezamentos e as viroses. Essas doenças demoram a apresentar sintomas, que só se tornam visíveis quando a planta já está em desenvolvimento”, explica a pesquisadora.

Municípios com maior incidência

O monitoramento identificou maior concentração de cigarrinhas nas cidades de:

  • São José do Cerrito
  • Campos Novos
  • Mafra
  • Porto União
  • Campo Erê

Além disso, análises laboratoriais constataram, por semanas consecutivas, a presença da bactéria do espiroplasma do enfezamento-pálido. O patógeno foi detectado em amostras coletadas em:

  • Mafra
  • Major Vieira
  • Campo Belo do Sul
  • Faxinal dos Guedes
  • Irati
  • Tunápolis

Segundo a Epagri, a presença da bactéria reforça a necessidade de intensificar o manejo integrado de pragas e adotar medidas preventivas nas lavouras.

Fase crítica exige atenção redobrada

A infecção por patógenos transmitidos pela cigarrinha pode comprometer significativamente o rendimento das plantações. Como os sintomas dos enfezamentos surgem tardiamente, o controle deve ocorrer nos estágios iniciais da cultura.

A recomendação técnica inclui:

  • Realizar manejo químico adequado nas fases iniciais da lavoura;
  • Utilizar inseticidas de contato associados, sempre que possível, a produtos biológicos;
  • Fazer boa regulagem das máquinas para evitar perdas de grãos na colheita;
  • Evitar o plantio da safrinha em áreas muito próximas a lavouras já maduras.

Monitoramento semanal em 55 lavouras

O programa Monitora Milho SC coleta e divulga semanalmente dados de 55 lavouras distribuídas em Santa Catarina. A iniciativa foi criada no início de 2021 pelo Comitê de Ação contra Cigarrinha-do-milho e Patógenos Associados, formado por instituições como Epagri, Udesc, Cidasc, Ocesc, Fetaesc, Faesc, CropLife Brasil e Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária.

A metodologia do programa tem sido reconhecida em eventos nacionais e internacionais, servindo de referência para ações semelhantes em outros estados e até no exterior.

Para a pesquisadora Maria Cristina Canale, a convivência com a cigarrinha e com as doenças transmitidas por ela é uma realidade consolidada no país. “Os surtos têm sido frequentes em todas as regiões produtoras do Brasil. É necessária a participação ativa de todos os produtores no manejo integrado regionalizado”, destaca.

A Epagri orienta que os agricultores acompanhem as atualizações do monitoramento e adotem estratégias preventivas para proteger a produtividade das lavouras catarinenses.


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