A Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) apresentou vinhos finos elaborados a partir de um novo grupo de uvas resistentes a doenças, uma inovação que promete reduzir custos de produção, diminuir o uso de defensivos agrícolas e manter o alto padrão de qualidade da vitivinicultura catarinense. Os primeiros produtos chegam ao mercado a partir deste ano, após quase uma década de pesquisas no estado.
A iniciativa é coordenada pelo pesquisador André Luiz Kulkamp, gerente da Estação Experimental de Videira e especialista em fitotecnia. Segundo ele, Santa Catarina está à frente desse tipo de pesquisa no Brasil, justamente por reunir diferentes regiões produtoras e grande diversidade climática.
Pesquisa busca facilitar a vida do produtor
De acordo com André Kulkamp, o projeto surgiu da necessidade de oferecer alternativas às variedades tradicionais já consolidadas no estado, sem substituí-las. A proposta é ampliar o portfólio dos produtores, com uvas que apresentem novos perfis aromáticos, alta qualidade enológica e, principalmente, maior resistência a doenças fúngicas.
“São variedades mais fáceis de produzir, com menor custo e menos necessidade de manejo fitossanitário, mas que resultam em vinhos de excelência”, explica o pesquisador. Ele destaca que as condições climáticas do Sul do Brasil, com períodos de alta umidade e temperaturas elevadas, favorecem o surgimento de doenças na videira, o que tradicionalmente exige maior uso de defensivos.
Menos defensivos e mais qualidade para o consumidor
A redução do uso de produtos fitossanitários é um dos principais diferenciais das novas uvas. Segundo a Epagri, o objetivo é atender a um consumidor cada vez mais atento à origem e à qualidade dos alimentos e bebidas que consome.
“O consumidor busca produtos mais limpos, com menor carga de defensivos. Essas variedades permitem produzir vinhos de alta qualidade, alinhados a essa nova exigência do mercado”, afirma André. Ele ressalta que os produtores catarinenses já têm tradição em qualidade, e que a pesquisa vem para facilitar ainda mais esse processo.
Testes em diferentes regiões de Santa Catarina
Os estudos com as uvas resistentes começaram antes de 2015, mas foi a partir daquele ano que os primeiros vinhedos experimentais foram implantados. O diferencial do projeto foi a avaliação das variedades em cinco regiões distintas do estado, representando diferentes climas e altitudes.
Entre os locais de teste estão:
- Urussanga, no Sul do estado, com clima mais quente e úmido;
- Vale do Rio do Peixe, região tradicional, com cerca de 800 metros de altitude;
- São Joaquim, na Serra Catarinense, a 1.100 metros;
- Água Doce, com vinhedos a até 1.300 metros de altitude;
- Curitibanos, representando outra condição climática intermediária.
Atualmente, mais de 50 variedades estão em avaliação. A partir desses estudos, algumas se destacaram por apresentar bom desempenho em diferentes regiões, o que permitiu à Epagri iniciar a entrega das primeiras cultivares aos produtores.
Interesse crescente de produtores no Brasil
A receptividade do setor tem sido positiva. Segundo a Epagri, produtores de Santa Catarina e de outras regiões do país, como Norte, Nordeste e Centro-Oeste, acompanham o projeto de perto. A liberação das variedades ocorre de forma gradual e responsável, após pelo menos sete safras consecutivas de avaliação agronômica e sensorial.
Recentemente, um dia de campo realizado em Videira reuniu mais de 200 produtores e técnicos, que puderam conhecer as plantas, entender o manejo e degustar os vinhos produzidos. A orientação da Epagri é que os produtores iniciem o plantio em áreas pequenas, para adaptação técnica e avaliação do mercado.
Novo desafio é a aceitação do mercado
Com as primeiras colheitas realizadas neste ano, o foco agora se volta ao mercado. Vinícolas e consumidores precisarão conhecer e entender os novos perfis aromáticos e sensoriais dessas uvas, conhecidas como variedades PIWI.
“O vinho precisa ser aprovado na taça. Agora o desafio é o posicionamento comercial desses produtos, que são diferenciados”, avalia André. Ele destaca que a Epagri e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), parceira do projeto, seguem sem pressa, priorizando segurança técnica e confiança nos resultados.
Inovação sem perder a tradição
Para o pesquisador, as novas variedades não competem com uvas tradicionais, como a Goethe, no Sul do estado, ou as uvas finas da Serra Catarinense. A proposta é complementar e fortalecer o setor.
“O consumidor busca o vinho tradicional da região, mas também quer provar novidades. Ter um portfólio maior ajuda a viabilizar o produtor e fortalece o vinho brasileiro”, afirma. Variedades como Calardis Blanc e Felicia, citadas pelo pesquisador, se destacam pela alta produtividade e menor custo de produção.
A expectativa é que a inovação ajude a consolidar Santa Catarina como referência nacional na vitivinicultura, fortalecendo o produtor rural, estimulando o consumo de vinhos nacionais e reduzindo a dependência de produtos importados.
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