A Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) defende cautela e mais diálogo antes de qualquer mudança na legislação que trata da flexibilização da escala de trabalho 6×1. A posição foi apresentada pela presidente da Câmara de Relações Trabalhistas da entidade, Rita Cássia Conti, em entrevista concedida nesta terça-feira (10), à Rádio Cidade em Dia 89.1 FM, de Criciúma, ao jornalista Denis Luciano.
O tema ganhou destaque após o projeto que propõe a reforma da escala 6×1 avançar para análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. Segundo Rita Conti, embora a discussão sobre flexibilização seja legítima, o momento exige mais aprofundamento técnico e menos viés político.
Preocupação com os impactos econômicos
De acordo com a dirigente, a principal preocupação do setor industrial catarinense está nos efeitos práticos da proposta sobre a competitividade das empresas, especialmente aquelas com mão de obra intensiva.
“A classe empresária está muito preocupada. Uma mudança imposta, sem negociação, pode gerar impactos significativos nos negócios, principalmente nas indústrias”, afirmou.
Levantamento interno da FIESC aponta que cerca de 80% das indústrias de Santa Catarina ainda utilizam o modelo de trabalho 6×1. Com isso, uma eventual alteração obrigatória na escala teria reflexos diretos nos custos operacionais e na necessidade de contratação de novos funcionários.
Setores mais afetados em Santa Catarina
Segundo Rita Conti, a indústria seria o segmento mais impactado pela flexibilização, devido ao perfil produtivo do estado, fortemente baseado na atividade industrial. Além disso, setores como comércio e supermercados também poderiam enfrentar dificuldades, especialmente pequenos empreendimentos com equipes reduzidas.
“Um pequeno comércio que hoje opera com duas ou três pessoas pode ser obrigado a contratar mais um funcionário. A dúvida é se ele terá sustentabilidade financeira para isso”, destacou.
Ela observou ainda que alguns setores, como tecnologia da informação e áreas administrativas, já adotam modelos mais flexíveis, mas ressaltou que essa realidade não pode ser generalizada para toda a economia.
Defesa da negociação e não de imposição legal
Outro ponto enfatizado pela FIESC é a defesa de maior liberdade de negociação entre empregadores e trabalhadores. Para a entidade, a legislação trabalhista deveria permitir acordos setoriais, respeitando as particularidades de cada atividade econômica.
“Flexibilização precisa vir acompanhada de diálogo. Uma lei imposta, sem considerar as diferenças entre os setores, pode gerar mais problemas do que soluções”, avaliou.
Rita Conti também destacou que o debate sobre jornada de trabalho deveria caminhar junto com a discussão sobre carga tributária, considerada elevada no Brasil e um dos principais entraves à geração de empregos formais.
Debate considerado prematuro
Na avaliação da dirigente, o Brasil ainda enfrenta desafios estruturais que tornam a discussão sobre redução de jornada prematura, como a necessidade de aumentar a qualificação da mão de obra e reduzir custos sobre a folha de pagamento.
“Ainda precisamos avançar muito em produtividade e qualificação. Reduzir jornada sem olhar o todo pode tornar o país menos competitivo no cenário global”, concluiu.
A FIESC informou que seguirá acompanhando a tramitação do projeto no Congresso Nacional e defendendo um debate mais amplo, com participação do setor produtivo, trabalhadores e representantes do poder público.
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