Fluxo normal nas rodovias federais de SC nesta manhã de quinta-feira com previsão de início da greve nacional dos caminhoneiros

A lista de reivindicações apresentada pela ANTC vai além do preço do diesel e da atualização da tabela do frete

Maiquel Machado

Publicado em: 19 de março de 2026

5 min.
Fluxo normal nas rodovias federais de SC nesta manhã de quinta-feira com previsão de início da greve nacional dos caminhoneiros. - Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Fluxo normal nas rodovias federais de SC nesta manhã de quinta-feira com previsão de início da greve nacional dos caminhoneiros. - Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A data prevista para o que pode ser uma das maiores paralisações da história recente do país chegou. Após uma reunião estratégica realizada nessa quarta-feira (18) com lideranças de todo o Brasil, o secretário-geral da Associação Nacional dos Transportadores Autônomos de Carga (ANTC), Sérgio Pereira, confirmou o início de uma greve nacional da categoria a partir desta quinta-feira (19). O movimento, classificado pelos organizadores como ordeiro e consciente, promete parar o país sem bloquear rodovias.

A decisão foi tomada em um clima de “indignação e revolta” unânime, segundo os participantes. O estopim é uma combinação de fatores que, de acordo com os caminhoneiros, torna o trabalho inviável: os sucessivos aumentos no preço do diesel, a defasagem na tabela do frete e a falta de fiscalização sobre os abusos nos preços dos combustíveis. “O caminhoneiro brasileiro está sendo sufocado. Trabalhar virou sinônimo de prejuízo”, resume a nota divulgada após o encontro.

A estratégia e o recado ao governo

Diferente de movimentos anteriores que resultaram em bloqueios de vias, a orientação da liderança é clara: a paralisação será pacífica e sem obstrução de estradas. A categoria foi convocada a se concentrar em pontos estratégicos, como o Porto de Itajaí, a partir do início desta manhã de quinta-feira (19). A partir do meio-dia, a orientação é que os caminhoneiros não carreguem seus veículos e não aceitem fretes das transportadoras.

“Nosso movimento é sério, responsável e ordeiro. Afinal, quem gosta de confusão é o Governo Federal”, afirma a convocatória, que também denuncia tentativas da Justiça de impedir a mobilização. “Isso prova que estamos mexendo onde muitos não queriam que se mexesse”, completou a nota da ANTC.

Pauta de sobrevivência

A lista de reivindicações apresentada pela ANTC vai além do preço do diesel e da atualização da tabela do frete. Entre os principais pontos estão:

  • Aposentadoria especial aos 25 anos para motoristas, reconhecendo a penosidade da profissão.
  • Fiscalização rigorosa e aplicação de multas às empresas que descumprirem o piso mínimo de frete.
  • Retomada da distribuição de combustível pela Petrobras para equilibrar os preços no mercado.
  • Criação de infraestrutura básica (banheiros, chuveiros, locais de descanso) nas estradas e portos.

O cenário em Santa Catarina

Na manhã desta quinta-feira (19), a Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou que todas as rodovias federais de Santa Catarina apresentavam fluxo normal. O órgão não foi notificado oficialmente sobre a paralisação, mas mantém equipes de monitoramento em todo o Estado para reagir a qualquer alteração causada por movimentos sociais.

A PRF reforça que informações em tempo real sobre as condições das rodovias podem ser acompanhadas pelo canal oficial da instituição no WhatsApp.

A categoria, no entanto, promete mostrar sua força. “Chegou a hora de mostrar que sem o caminhoneiro, o Brasil não anda. Juntos somos mais fortes. E dessa vez, não vamos recuar”, finaliza o comunicado da liderança nacional.


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