Governo endurece multas por maus-tratos após caso do cão Orelha

Novo decreto eleva punições para até R$ 50 mil e pode chegar a R$ 1 milhão em situações agravadas

Ewertom Rodrigues

Publicado em: 12 de março de 2026

4 min.
Decreto federal aumenta multas por maus-tratos a animais e pode chegar a R$ 1 milhão em casos graves. Medida foi anunciada após repercussão do caso Orelha

Decreto federal aumenta multas por maus-tratos a animais e pode chegar a R$ 1 milhão em casos graves. Medida foi anunciada após repercussão do caso Orelha. - Foto: Reprodução

O governo federal anunciou nesta quinta-feira (12) um novo decreto que aumenta as multas aplicadas em casos de maus-tratos a animais no Brasil. A norma amplia significativamente os valores das penalidades administrativas, que passam a variar de R$ 1.500 a R$ 50 mil, podendo alcançar até R$ 1 milhão em situações mais graves.

A medida foi apresentada durante um evento relacionado à Semana Nacional dos Animais e altera regras do decreto que regulamenta as infrações ambientais no país. Até então, os valores das multas estavam entre R$ 300 e R$ 3 mil, sem atualização desde 2008.

O texto recebeu o nome de “Justiça por Orelha”, em referência ao cão comunitário Orelha, morto após sofrer agressões em Florianópolis (SC). O caso gerou grande repercussão e reforçou discussões sobre a necessidade de punições mais rígidas contra crimes de crueldade animal.

Multas maiores e punições agravadas

Com a nova regulamentação, além do aumento no valor das multas, o decreto estabelece circunstâncias que podem elevar ainda mais a penalidade.

Entre os fatores considerados agravantes estão:

  • quando o crime resulta na morte do animal;
  • casos que deixam sequelas permanentes;
  • prática de violência com crueldade extrema;
  • maus-tratos contra espécies ameaçadas de extinção;
  • situações em que o animal esteja sem condições de defesa ou fuga.

Nessas circunstâncias, a legislação permite que o valor da multa seja multiplicado em até 20 vezes, o que pode levar a penalidade ao limite de R$ 1 milhão.

Outras situações consideradas agravantes

O decreto também prevê punições mais severas em casos como:

  • abandono de animais;
  • agressões cometidas pelo próprio responsável pela guarda;
  • utilização de outros animais para provocar ataques;
  • reincidência do infrator;
  • envolvimento ou recrutamento de crianças e adolescentes na prática do crime;
  • divulgação das agressões em redes sociais, ampliando o alcance da violência.

Reforço na proteção animal

Para o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, o aumento das penalidades busca fortalecer a responsabilização de quem comete crimes contra animais.

A diretora do Departamento de Proteção, Defesa e Direitos Animais da pasta, Vanessa Negrini, afirmou que a repercussão do caso Orelha evidenciou a necessidade de instrumentos mais rigorosos para combater a crueldade animal no país.

Segundo o governo, a expectativa é que a atualização das multas e a definição de novos agravantes contribuam para inibir práticas de violência e ampliar a proteção aos animais.


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