O Hospital São José, em Criciúma, enfrenta um déficit mensal superior a R$ 4 milhões nas operações voltadas ao Sistema Único de Saúde (SUS). A informação foi confirmada pelo diretor executivo da instituição, Juliano Petters, em entrevista concedida nesta sexta-feira (13), à Rádio Cidade 89.1 FM, do Grupo SCTODODIA, ao jornalista Denis Luciano.
Segundo Petters, a principal causa do desequilíbrio financeiro é a defasagem histórica da tabela do SUS, que não acompanha os custos reais de materiais, medicamentos, exames e procedimentos. O hospital é referência em alta complexidade para toda a região Sul de Santa Catarina.
A média de produção mensal do SUS na unidade gira em torno de R$ 7 milhões. Além disso, desde dezembro, o Governo do Estado iniciou um repasse adicional de R$ 1,5 milhão para custeio, com o objetivo de amenizar a diferença entre o valor recebido e o custo efetivo dos atendimentos.
Comparação com outros hospitais
Durante a entrevista, foi abordada a comparação feita pelo prefeito de Criciúma, Vaguinho Espíndola, que afirmou que o Hospital São José recebe, proporcionalmente, menos recursos estaduais do que hospitais administrados por organizações sociais em outras regiões do Estado.
Petters explicou que os modelos de contrato são diferentes e que hospitais geridos por organizações sociais operam sob outro tipo de remuneração. Ainda assim, reconheceu que existe uma defasagem e afirmou que o hospital busca apoio tanto do Governo do Estado quanto do município para reequilibrar as contas.
Pronto-socorro amplia pressão financeira
Um dos principais pontos de impacto no orçamento é o pronto-socorro. Atualmente, a unidade registra média de 6 mil atendimentos por mês. Desse total, 68% são pacientes de Criciúma e o restante de municípios vizinhos.
De acordo com o diretor executivo, muitos casos atendidos no hospital são de baixa complexidade e poderiam ser resolvidos em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) ou hospitais municipais.
Somente o pronto-socorro gera um déficit mensal aproximado de R$ 1,2 milhão.
Para tentar reduzir o problema, foi implantado um sistema de triagem com um terceiro médico atuando no modelo “fast track”, inspirado na metodologia Lean. Esse profissional realiza atendimento imediato na entrada do hospital, resolvendo casos simples e evitando que apenas 5% desses pacientes precisem ser encaminhados para internação ou medicação no pronto-socorro.
Plano de ação com municípios
O hospital também iniciou reuniões com gestores das UPAs de Criciúma e secretários de Saúde da região para estabelecer protocolos mais rigorosos de encaminhamento.
Entre as medidas discutidas está a exigência de contato prévio entre médicos antes da transferência de pacientes, garantindo que apenas casos de alta complexidade sejam direcionados ao São José.
Segundo Petters, a reorganização do fluxo é fundamental não apenas para reduzir o déficit, mas para garantir atendimento adequado ao paciente, evitando deslocamentos desnecessários e sobrecarga na unidade de referência.
Apoio municipal e estadual
Atualmente, o município de Criciúma repassa cerca de R$ 230 mil mensais para auxiliar na contratação do terceiro médico no pronto-socorro. O diretor considera o valor importante, mas insuficiente diante da demanda regional.
O hospital mantém a expectativa de ampliação dos repasses estaduais e municipais para equilibrar o sistema de saúde na região Sul.
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