Licença-paternidade aumenta para 20 dias: veja as novas regras

Benefício será ampliado de forma gradual até 2029, com novas regras, mais dias de afastamento e ampliação do acesso a trabalhadores

Redação

Publicado em: 31 de março de 2026

5 min.
Licença-paternidade aumenta para 20 dias veja as novas regras. - Imagem gerada por IA

Licença-paternidade aumenta para 20 dias veja as novas regras. - Imagem gerada por IA

A licença-paternidade no Brasil passará por uma mudança histórica nos próximos anos. Foi sancionada nesta terça-feira (31) a lei que amplia gradualmente o benefício, hoje limitado a cinco dias, para até 20 dias até 2029.

A medida regulamenta um direito previsto na Constituição de 1988 e amplia o alcance do benefício, que passa a incluir mais categorias de trabalhadores e novas situações familiares.

A seguir, entenda o que muda na prática.

O que muda na licença-paternidade

Atualmente, trabalhadores têm direito a cinco dias corridos de licença, pagos pela empresa. Com a nova lei, esse período será ampliado de forma progressiva:

  • 10 dias a partir de 1º de janeiro de 2027
  • 15 dias a partir de 1º de janeiro de 2028
  • 20 dias a partir de 1º de janeiro de 2029

Além disso, o pagamento do benefício passará a ser responsabilidade da Previdência Social, com reembolso às empresas.

O trabalhador terá direito à remuneração integral ou à média dos últimos seis meses.

Quem terá direito ao benefício

A nova legislação amplia o acesso à licença-paternidade. Passam a ter direito:

  • Trabalhadores com carteira assinada
  • Autônomos
  • Empregados domésticos
  • Microempreendedores individuais (MEIs)
  • Demais segurados do INSS

O benefício será concedido em casos de:

  • Nascimento de filho
  • Adoção
  • Guarda judicial de criança ou adolescente

Quando o benefício pode ser negado

A lei também estabelece regras mais rígidas. O salário-paternidade poderá ser negado ou suspenso em situações como:

  • Violência doméstica ou familiar
  • Abandono material da criança
  • Falta de afastamento real do trabalho durante a licença

Situações em que a licença pode aumentar

Há casos específicos em que o período pode ser ampliado:

  • Falecimento da mãe: pai assume licença equivalente à maternidade (120 a 180 dias)
  • Criança com deficiência: acréscimo de um terço no período
  • Adoção ou guarda unilateral: direito à licença-maternidade
  • Internação da mãe ou do bebê: início da licença após alta hospitalar
  • Ausência do nome da mãe no registro: licença de até 120 dias

Como ficam casais homoafetivos

A nova lei prevê regras específicas, mas ainda com necessidade de análise caso a caso em algumas situações.

  • Um dos parceiros poderá ter direito à licença-maternidade
  • O outro ficará com a licença-paternidade
  • Em adoções, os períodos serão divididos entre o casal

Trabalhador terá estabilidade no emprego

A legislação também cria uma proteção contra demissão sem justa causa.

O trabalhador não poderá ser demitido:

  • Durante a licença
  • Por até 30 dias após o retorno ao trabalho

Caso isso ocorra, poderá haver reintegração ou pagamento de indenização em dobro.

O que muda no Programa Empresa Cidadã

Empresas que já participam do programa poderão continuar oferecendo dias extras.

A diferença é que agora:

  • Os 15 dias adicionais serão somados aos 20 dias da nova lei
  • Antes, eram somados apenas aos cinco dias atuais

Próximos passos

A ampliação será implementada de forma gradual até 2029. Até lá, empresas, trabalhadores e o próprio INSS precisarão se adaptar às novas regras.

A expectativa é que a mudança aproxime os direitos da paternidade das garantias já existentes para a maternidade, incentivando maior participação dos pais nos cuidados com os filhos desde os primeiros dias de vida.


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