A paisagem da Praia da Vila, em Imbituba, no Sul de Santa Catarina, surpreendeu moradores e turistas na última semana. O mar recuou de forma incomum e formou um corredor de areia que permitiu a travessia a pé até a Ilha de Santana de Dentro — cenário raro que chamou a atenção e rendeu registros nas redes sociais.
O fenômeno ocorreu durante um período de maré baixa acentuada, coincidindo com a Lua Nova, condição conhecida como maré de sizígia, quando há maior variação no nível do mar. Em determinados momentos, a maré chegou a 25 centímetros abaixo do nível zero.
A repórter Anna Luiza Siqueira, da Rádio Cidade Tubarão 103.7 FM, esteve no SCPAR Porto de Imbituba e conversou com os profissionais sobre o fenômeno.
Marco Zero Altimétrico do Brasil fica em Imbituba
O que poucos sabem é que a explicação científica para o recuo do mar pode estar relacionada aos dados monitorados por um equipamento instalado sob o Cais 1 do Porto de Imbituba.
No local funciona uma estação maregráfica que integra o Sistema Geodésico Brasileiro. É ali que está o chamado Marco Zero Altimétrico do Brasil — referência oficial que define o nível médio do mar no país. Esse ponto serve de base para:
- Obras públicas e privadas;
- Elaboração de mapas;
- Projetos de engenharia em praticamente todo o território nacional.
A estação é operada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com o Porto de Imbituba.
Monitoramento em tempo real
Dois equipamentos registram constantemente o comportamento das marés:
- Marégrafo analógico: mantém medições históricas desde a década de 1940;
- Marégrafo digital: envia dados automaticamente a cada cinco minutos, abastecendo sistemas nacionais e internacionais de monitoramento.
Esses registros ajudam a explicar variações como a que ocorreu na Praia da Vila.
Entenda o fenômeno da “praia gorda”
De acordo com a oceanógrafa da SCPar Porto de Imbituba, Camila Amorim, o fenômeno é resultado de uma combinação de fatores oceanográficos.
“Na parte submersa das praias, a gente tem os bancos, que são as elevações. Quando a gente tem um grande período de tempo bom, com ondas baixas e ventos fracos, os bancos ‘caminham’ e vão se fundindo à praia”, explicou.
Esse processo é conhecido como formação de “praia gorda”. Durante o verão, com menos ressaca e ondulação intensa, a areia é transportada para a parte mais alta da faixa litorânea, fazendo com que a praia se expanda.
No caso da Ilha de Santana de Dentro, o banco de areia se uniu à ilha. Com a maré baixa mais intensa, o trecho ficou exposto, criando uma espécie de ponte natural.
Experiência inédita para moradores
A moradora Elisandra Rosa, que vive em Imbituba há 38 anos, afirmou que foi a primeira vez que conseguiu atravessar a pé até a ilha.
Famílias, crianças e idosos aproveitaram o momento de águas calmas para caminhar pelo corredor de areia. O cenário atraiu curiosos e reforçou a beleza natural da região.
Alerta para os riscos
Apesar do espetáculo, especialistas alertam que o cenário é temporário. Uma mudança nas condições do mar, com ondulação mais forte, pode reabrir rapidamente o canal de retorno, oferecendo risco a quem estiver na travessia.
Além do aspecto visual, os bancos de areia cumprem função ambiental importante: atuam como barreiras naturais, protegendo dunas e construções na orla contra a força das ondas.
O fenômeno reforça a importância do monitoramento constante realizado em Imbituba, ponto estratégico para o controle do nível do mar no Brasil.
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