Mentir faz parte do desenvolvimento infantil, especialmente entre os dois e seis anos, quando a criança começa a explorar a imaginação e entender os limites da realidade. No entanto, quando esse comportamento se torna frequente ou ocorre em situações mais delicadas, pode indicar um sinal de alerta emocional, segundo especialistas.
O tema ganha destaque neste 1º de abril, data tradicionalmente associada a brincadeiras. Em entrevista à Rádio Cidade Tubarão 103.7 FM, o psicólogo Tiago Mangeronio explicou quando a mentira deixa de ser comum e passa a exigir atenção de pais e responsáveis.
Quando a mentira é considerada normal
De acordo com o especialista, mentir faz parte do processo natural de desenvolvimento. É nesse período que a criança descobre que pode usar palavras para influenciar situações e percepções.
“Durante esse processo, geralmente entre os dois e seis anos, ela descobre essa ferramenta chamada mentira, que tem o poder de alterar a realidade”, explica Mangeronio.
Segundo ele, a tendência é que, com o tempo, a criança compreenda os limites desse comportamento. O alerta surge quando a mentira passa a ser utilizada com frequência para evitar responsabilidades ou obter vantagens.
O que pode levar a criança a mentir
Diversos fatores podem influenciar o hábito de mentir na infância. Entre os principais estão:
- Medo de punição
- Insegurança
- Necessidade de aprovação
- Baixa autoestima
- Ambiente familiar
Além disso, experiências anteriores têm papel decisivo. Se a criança percebe que mentir traz benefícios ou evita consequências negativas, a chance de repetir o comportamento aumenta.
“Se para ela falar a verdade não tem dado bons resultados, ela tem mais chance de evitar falar a verdade”, destaca o psicólogo.
Como os pais devem agir
A forma como os responsáveis reagem às mentiras é determinante para o comportamento futuro da criança. Reações agressivas, como gritos ou punições severas, podem gerar medo e dificultar a construção de confiança.
Em vez disso, a orientação é incentivar a verdade por meio de diálogo e acolhimento.
Entre as estratégias recomendadas estão:
- Evitar punições excessivas
- Não reagir com gritos ou agressividade
- Criar um ambiente seguro para a criança se expressar
- Valorizar quando a criança diz a verdade, mesmo em situações difíceis
“Quando a criança se sente segura para falar a verdade, ela tem menos chance de mentir”, afirma Mangeronio.
Data serve de reflexão para famílias
Embora o Dia da Mentira seja marcado por brincadeiras, especialistas alertam que nem toda mentira infantil deve ser encarada com leveza. Em alguns casos, o comportamento pode revelar sentimentos mais profundos, como medo ou dificuldade em lidar com expectativas.
Mais do que corrigir a atitude, compreender o que está por trás dela é fundamental para o desenvolvimento emocional saudável da criança. O diálogo e o apoio familiar são apontados como caminhos essenciais para fortalecer vínculos e promover um ambiente de confiança.
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