MPSC manda PM e guardas criarem protocolo para abordar moradores de rua

Recomendação do Ministério Público prevê regras de respeito, transparência e capacitação para agentes de segurança em cidades de Santa Catarina

Redação

Publicado em: 6 de março de 2026

6 min.
MPSC manda PM e guardas criarem protocolo para abordar moradores de rua. - Imagem gerada por IA

MPSC manda PM e guardas criarem protocolo para abordar moradores de rua. - Imagem gerada por IA

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) recomendou que a Polícia Militar e as Guardas Municipais de diversas cidades do estado criem um protocolo específico para abordagens de pessoas em situação de rua. A medida busca padronizar procedimentos, garantir respeito à dignidade humana e melhorar a integração com serviços de assistência social.

A recomendação foi emitida pela 40ª Promotoria de Justiça da Capital, com atuação estadual na área de segurança pública, e estabelece diretrizes para tornar as abordagens mais humanizadas e transparentes.

Cidades e órgãos que receberam a recomendação

O documento foi encaminhado ao Comando-Geral da Polícia Militar de Santa Catarina e às Guardas Municipais de:

  • Florianópolis
  • Balneário Camboriú
  • Joinville
  • São José
  • Chapecó
  • Itapema
  • Itajaí
  • Caçador
  • Rio do Sul
  • Tubarão
  • Palhoça
  • Porto Belo
  • Capivari de Baixo
  • Laguna

Os órgãos têm prazo para informar se irão acatar ou não a recomendação. No caso da PM e das guardas, a resposta deve ser enviada até esta segunda-feira (9).

O que muda nas abordagens

Segundo o MPSC, os agentes deverão seguir uma série de procedimentos durante as abordagens. Entre as principais orientações estão:

  • Identificação do agente responsável pela abordagem
  • Explicação clara do motivo da ação
  • Tratamento com urbanidade e respeito à dignidade humana
  • Escuta da pessoa abordada sem interrupções
  • Encaminhamento para serviços públicos, como abrigo ou atendimento de saúde

A recomendação também reforça que o uso de arma deve ser excepcional, apenas nas situações previstas em lei e nunca para intimidar ou constranger a pessoa abordada.

Outro ponto destacado é a proibição de recolher bens ou animais de forma forçada, exceto em casos de itens ilícitos. Caso pertences sejam apreendidos, os agentes devem informar onde serão armazenados e como poderão ser recuperados.

Transporte compulsório é proibido

O documento também orienta que não pode haver transporte compulsório de pessoas em situação de rua. Qualquer encaminhamento deve ocorrer com base em orientação e acesso a serviços públicos disponíveis.

Além disso, as forças de segurança devem conhecer e acionar a rede de assistência social para oferecer atendimento adequado quando necessário.

A promotoria determinou prazo de 120 dias para apresentação de documentos que comprovem a adoção e implementação das medidas recomendadas.

Capacitação de servidores em São José

Além da recomendação geral, o MPSC também atuou especificamente no município de São José, na Grande Florianópolis.

A 11ª Promotoria de Justiça recomendou que a prefeitura organize melhor o atendimento à população em situação de rua e promova capacitação de servidores que realizam abordagens, especialmente os que atuam na Gerência de Ordem Pública e Proteção de Áreas Públicas.

O planejamento deve envolver várias secretarias municipais, incluindo:

  • Urbanismo e Serviços Públicos
  • Segurança, Defesa Social e Trânsito
  • Guarda Municipal
  • Defesa Civil
  • Saúde
  • Assistência Social

A recomendação também orienta que os servidores evitem atitudes que reforcem preconceitos ou estigmas contra pessoas em situação de rua.

Atuação integrada em Santa Catarina

O MPSC afirma que atua em diversas frentes para enfrentar os desafios relacionados à população em situação de rua, incluindo áreas como saúde, habitação, assistência social e segurança pública.

Entre as iniciativas recentes está a força-tarefa Cuidados Urbanos, realizada na região do viaduto entre Florianópolis e São José, na Via Expressa. A ação reuniu órgãos de segurança e assistência social para enfrentar problemas como uso de drogas, furtos de fios e vulnerabilidade social.

Segundo o Ministério Público, o trabalho integrado realizado em 2025 contribuiu para melhorar as condições da região e ampliar o atendimento social.


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