Biólogo explica por que ataques de abelhas ocorrem em áreas naturais

Segundo o biólogo Joares May, ataques de abelhas não são aleatórios nem motivados por agressividade

Eduardo Fogaça

Publicado em: 10 de fevereiro de 2026

6 min.
Mulher é atacada por abelhas nas dunas de Ibiraquera, em Imbituba. Foto: Divulgação

Mulher é atacada por abelhas nas dunas de Ibiraquera, em Imbituba. Foto: Divulgação

Um ataque de abelhas registrado nas dunas de Ibiraquera, em Imbituba, chamou a atenção para um tema que costuma gerar medo, mas também muitos equívocos. Uma mulher de 46 anos precisou de atendimento médico após sofrer mais de 20 picadas enquanto colhia butiás em uma área natural da região.

Segundo o Corpo de Bombeiros, a vítima estava consciente e orientada no momento do resgate, mas relatava dor no peito. Ela foi encaminhada ao Hospital São Camilo, em Imbituba. O estado de saúde não foi atualizado.

Abelhas atacam apenas quando se sentem ameaçadas

Para esclarecer por que episódios como esse acontecem, a Rádio Cidade ouviu o biólogo Joares May, que reforça que ataques de abelhas não são aleatórios nem motivados por agressividade.

“As abelhas não têm a premissa de atacar. Elas se defendem. O ataque acontece sempre como resposta a uma ameaça percebida à colmeia ou à rainha”, explicou o biólogo.

Segundo ele, no caso das abelhas africanizadas, o comportamento defensivo é ainda mais intenso. “Quando elas ferroam, o ferrão fica preso no corpo da pessoa e acaba puxando parte do aparelho interno. Essa abelha morre logo depois. Ou seja, ela se sacrifica para proteger a colmeia”, afirmou.

Barulho e movimentação podem desencadear ataques

Joares May destacou que ruídos, vibrações e agitação próximos ao local onde a colmeia está instalada são fatores decisivos. “Qualquer distúrbio, como barulho excessivo ou movimentação intensa, pode ser interpretado como uma ameaça. A resposta da abelha é imediata”, disse.

Outro momento crítico ocorre durante o deslocamento do enxame. “Quando o enxame está se movendo, as abelhas ficam ainda mais defensivas. A prioridade é preservar a rainha, então qualquer situação suspeita pode resultar em ataque”, explicou.

Atividade humana e áreas naturais aumentam o risco

De acordo com o biólogo, a ocorrência de acidentes está diretamente ligada à forma como as pessoas utilizam ambientes naturais. As abelhas dependem da florada para se alimentar e produzir mel, o que faz com que busquem locais com vegetação abundante.

“Elas não costumam se instalar em áreas centrais das cidades. Preferem regiões periféricas, de mata, dunas ou zonas rurais, onde encontram alimento e abrigo em troncos de árvores ou caixas artificiais”, explicou Joares May.

O problema, segundo ele, surge quando a atividade humana ocorre muito próxima dessas áreas. “Trabalhos com máquinas, circulação de pessoas, coleta de frutos e atividades recreativas acabam provocando distúrbios que levam ao ataque”, acrescentou.

Diferença entre espécies e risco de acidentes

Joares May também esclareceu que nem todas as abelhas têm o mesmo nível de defensividade. “Existe a abelha europeia e as chamadas abelhas africanas ou africanizadas, todas da espécie Apis mellifera. Algumas linhagens são mais defensivas do que outras”, afirmou.

No entanto, ele alerta que a identificação não é simples. “Para quem não conhece, é difícil diferenciar uma abelha de uma vespa ou marimbondo. As africanizadas costumam ter o padrão preto e amarelo, abdômen mais largo e corpo mais cilíndrico”, explicou.

Cuidados simples ajudam a evitar acidentes

Apesar da repercussão de casos como o de Ibiraquera, o biólogo ressalta que acidentes são raros diante da convivência diária entre pessoas e abelhas. Ainda assim, alguns cuidados reduzem significativamente os riscos:

  • Manter o silêncio em trilhas e áreas naturais
  • Evitar movimentos bruscos e barulho excessivo
  • Prestar atenção aos sons do ambiente
  • Redobrar os cuidados em períodos de florada ou deslocamento de enxames
  • Observar a presença de caixas de produção de mel em áreas rurais
  • Ter cautela ao circular com cães que latem excessivamente

“O respeito ao ambiente natural é a principal forma de prevenção. Observar, ouvir e evitar interferências bruscas protege as pessoas e também as abelhas, que são fundamentais para o equilíbrio ambiental”, concluiu Joares May.


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