Percevejos de cama: sinais, mitos e erros que agravam a infestação

Discretos, noturnos e cada vez mais comuns, esses insetos têm sido encontrados em residências, hotéis e apartamentos, inclusive em ambientes limpos e organizados.

Eduardo Fogaça

Publicado em: 5 de janeiro de 2026

6 min.
Percevejos de cama: sinais, mitos e erros que agravam a infestação. Foto: Divulgação

Percevejos de cama: sinais, mitos e erros que agravam a infestação. Foto: Divulgação

Acordar com coceiras intensas, marcas estranhas na pele ou pequenas manchas de sangue nos lençóis pode parecer algo simples, como alergia ou picada de mosquito. No entanto, em muitos casos, o problema está mais próximo do que se imagina: os percevejos de cama. Discretos, noturnos e cada vez mais comuns, esses insetos têm sido encontrados em residências, hotéis e apartamentos, inclusive em ambientes limpos e organizados.

Para orientar a população sobre como identificar os primeiros sinais, evitar erros comuns e impedir que a infestação se espalhe, a Rádio Cidade conversou com o técnico especialista em controle de pragas, Vítor Cardoso José.

Primeiros sinais da infestação

Segundo o especialista, a infestação costuma ser percebida apenas quando surgem as picadas na pele. “No início, geralmente a picada é o primeiro sinal. A pessoa não consegue perceber antes”, explica.

Entre os principais indícios estão:

  • Picadas na pele em sequência, formando linhas, zigue-zague ou faixas diagonais
  • Coceira intensa e demora maior na cicatrização, diferente da picada de mosquito
  • Pequenas manchas de sangue no lençol, causadas quando o inseto é esmagado durante o sono
  • Pontos escuros no colchão ou na cama, que são as fezes do percevejo

Mito da sujeira: ambientes limpos também sofrem infestação

Um dos equívocos mais comuns é associar a presença de percevejos à falta de higiene. De acordo com Vítor Cardoso José, isso não corresponde à realidade. “O principal meio de transporte do percevejo de cama é pegando carona”, afirma.

Esses insetos costumam ser levados para casa em malas, roupas e objetos pessoais, principalmente após viagens. Hotéis, pousadas e locais com grande circulação de pessoas são os ambientes mais comuns de origem da infestação.

Além disso, o nome “percevejo de cama” pode induzir ao erro. Eles não ficam apenas no colchão, podendo se esconder em:

  • Rodapés
  • Tomadas
  • Lençóis e roupas
  • Móveis e frestas

A limpeza do ambiente não impede a infestação, mas facilita a identificação precoce, o que é fundamental para o controle.

Erros que pioram o problema

Ao perceber os sinais, muitas pessoas acabam tomando atitudes que agravam a situação. Entre os principais erros estão:

  • Acreditar que o problema está relacionado à higiene pessoal ou da casa
  • Usar inseticidas comuns em aerossol, que não eliminam a infestação
  • Jogar fora colchões, roupas ou lençóis acreditando que isso resolve
  • Mudar de quarto ou de cama para “fugir” dos insetos

“O percevejo segue a pessoa porque busca sangue. Não vai demorar para infestar outros cômodos”, alerta o especialista.

Cuidados após viagens ajudam na prevenção

A prevenção começa ainda durante a estadia fora de casa. A recomendação é observar com atenção colchões, cabeceiras e lençóis ao chegar ao hotel ou pousada. O percevejo de cama é oval, achatado e de cor marrom-avermelhada, o que permite a identificação visual em alguns casos.

Ao retornar da viagem, os cuidados incluem:

  • Lavar roupas com água quente
  • Secar peças em altas temperaturas
  • Evitar guardar roupas sem uso direto no armário
  • Manter o quarto organizado para facilitar a inspeção

O percevejo não sobrevive a altas temperaturas, o que torna esse procedimento eficaz para eliminar possíveis insetos trazidos na bagagem.

Atenção aos sinais e busca por ajuda especializada

Embora os percevejos de cama não transmitam doenças, eles causam coceira intensa, reações alérgicas, estresse e até problemas psicológicos, como insônia e ansiedade. Quanto mais cedo a infestação é identificada, mais simples e seguro é o controle.

Diante de sinais suspeitos, a orientação é evitar soluções improvisadas e procurar ajuda profissional especializada em controle de pragas.


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