Preço dos ovos inicia alta sazonal e mercado projeta avanço com aproximação da Páscoa

Em entrevista ao programa Hora da Cidade, o analista da Epagri, Alexandre Giehl, explicou que a alta é resultado de uma combinação de fatores

Eduardo Fogaça

Publicado em: 3 de março de 2026

7 min.
Preço dos ovos inicia alta sazonal e mercado projeta avanço com aproximação da Páscoa. Foto: Divulgação/Epagri

Preço dos ovos inicia alta sazonal e mercado projeta avanço com aproximação da Páscoa. Foto: Divulgação/Epagri

O mercado de ovos começa a dar sinais de alta sazonal nas primeiras semanas de fevereiro, impulsionado por fatores tradicionais de demanda e por ajustes na oferta. Dados da Epagri, por meio do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Cepa), indicam aumento recente nos preços, especialmente no atacado.

Em entrevista ao programa Hora da Cidade, com Ronaldo Sant’Anna, o analista de Socioeconomia e Desenvolvimento Rural da Epagri/Cepa, Alexandre Luís Giehl, explicou que o movimento é resultado de uma combinação de fatores. “Nós tivemos nas primeiras semanas de fevereiro uma alta de 9,2% em relação a janeiro no preço dos ovos. Isso se deve a uma soma de fatores, em primeiro lugar, relacionados à demanda. Nesse período pós-Carnaval, com a Quaresma, aumenta a procura por ovos porque muitas pessoas, por questões religiosas, diminuem o consumo de carne e migram para o ovo. Outro fator é a volta às aulas, já que essa proteína é muito utilizada na alimentação escolar por ser saudável e ter baixo custo”, afirmou.

Demanda cresce com Quaresma e retorno às aulas

Pelo lado da demanda, dois fatores se destacam: o início da Quaresma, período em que parte dos consumidores reduz o consumo de carnes, e o retorno das aulas, que tradicionalmente amplia o consumo de ovos nas escolas e nas residências. Mesmo em estágio inicial, esse movimento já provoca reflexos no mercado atacadista, que se antecipa ao crescimento mais consistente da procura.

Oferta menor pressiona preços

Na oferta, a redução sazonal da produtividade das galinhas de postura também contribui para a pressão altista. Com a aproximação do outono, que começa em 20 de março, a menor duração dos dias tende a impactar a produção, especialmente em sistemas menos tecnificados. Embora o uso de iluminação artificial amenize o efeito em granjas mais modernas, a queda não é totalmente eliminada.

Além disso, a forte desvalorização ao longo de 2025 levou os ovos, em janeiro, ao menor patamar de preços desde novembro de 2024. O cenário estimulou produtores a reduzirem seus plantéis, antecipando o descarte de aves menos produtivas.

Segundo Giehl, esse movimento impacta diretamente a oferta. “A galinha, a partir de certa idade, começa a reduzir a produção. Chega um momento em que o preço não está mais atrativo e o produtor avalia que é hora de descartar a ave para repor por animais mais jovens. Nesse período de transição acontece essa baixa. Geralmente é algo gradual, mas quando há queda prolongada nos preços, muitos produtores descartam os animais simultaneamente, causando redução momentânea na produção”, explicou.

Alta no atacado ainda não chega integralmente ao produtor

Apesar da elevação recente, os preços de atacado ainda permanecem 28,1% inferiores aos registrados em fevereiro de 2025, considerando a inflação medida pelo IGP-DI. Um fator que tem limitado pressões adicionais é a relativa estabilidade dos custos de produção, com tendência predominante de queda.

O milho, principal componente das rações, está 8,7% mais barato nas primeiras semanas de fevereiro em comparação ao mesmo período do ano passado, em valores corrigidos pela inflação.

Nas três primeiras semanas de fevereiro, o preço médio recebido pelo produtor pela dúzia do ovo grande foi de R$ 7,04, alta de 4,6% em relação ao mês anterior, quando a média foi de R$ 6,73. O repasse parcial da valorização do atacado ao produtor, segundo o analista, ocorre porque o mercado ainda está no início da curva de elevação.

“Muitos varejistas estão se antecipando a esse cenário, buscando ampliar estoques sempre que possível. Esse movimento pressiona rapidamente os preços no atacado, enquanto os valores pagos ao produtor reagem de forma mais gradual”, destacou Giehl.

Movimento é sazonal, mas intensidade pode variar

Levantamento da Epagri/Cepa mostra que a elevação dos preços nos primeiros meses do ano é um comportamento recorrente, associado ao aumento da demanda e à redução temporária da oferta. A intensidade do movimento, no entanto, pode variar conforme fatores conjunturais, como oscilações no consumo, mudanças nos custos de produção ou quedas mais abruptas na oferta.


FIQUE BEM INFORMADO:
📲 Fique por dentro do que acontece em Santa Catarina!
Entre agora no nosso canal no WhatsApp e receba as principais notícias direto no seu celular.
👉 Clique aqui e acompanhe.



× SCTODODIA Rádios