Reforma tributária pode elevar aluguel no Brasil

Nova cobrança sobre locações começa a valer em 2026 e pode pressionar preços para inquilinos

Ewertom Rodrigues

Publicado em: 15 de fevereiro de 2026

6 min.
Nova cobrança sobre locações começa a valer em 2026 e pode pressionar preços para inquilinos

Nova cobrança sobre locações começa a valer em 2026 e pode pressionar preços para inquilinos. - Foto: Divulgação

A reforma tributária aprovada pela Emenda Constitucional 132/2023 e regulamentada pela Lei Complementar 214/2025 começa a impactar diretamente o mercado imobiliário a partir de 2026. A nova estrutura de impostos pode elevar a carga tributária sobre locações e, consequentemente, pressionar o valor dos aluguéis em todo o país.

A mudança está ligada à criação do chamado “IVA dual”, composto pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). Com o novo modelo, contratos de aluguel firmados por empresas ou por pessoas físicas que possuam quatro ou mais imóveis passam a sofrer incidência adicional de tributos.

Atualmente, a tributação pode alcançar até 27,5% por meio do Imposto de Renda. Com a inclusão dos novos impostos, a carga fiscal pode subir cerca de 8,4 pontos percentuais, elevando o custo para proprietários.

Como a reforma tributária afeta os aluguéis

O novo sistema amplia a base de cobrança e altera regras fiscais para quem aluga imóveis. Entre os principais pontos estão:

  • Incidência de CBS e IBS sobre locações realizadas por empresas e grandes proprietários;
  • Possibilidade de carga total próxima de 35,9%, dependendo do enquadramento tributário;
  • Fiscalização mais rigorosa da Receita Federal sobre rendimentos de aluguel;
  • Maior exigência de detalhamento nas declarações fiscais.

A tendência apontada por especialistas é que parte desse aumento seja repassada aos inquilinos, principalmente em cidades onde a procura por imóveis supera a oferta.

Aluguéis por temporada podem sentir impacto maior

O efeito pode ser ainda mais significativo nos contratos de curta duração, como os realizados por meio de plataformas digitais. Nesses casos, a carga tributária total pode chegar a até 44% do faturamento bruto.

Esse cenário pode resultar em reajustes nas diárias e impactar diretamente consumidores que utilizam esse tipo de locação.

Transição começa em 2026

A fase de testes do novo modelo tributário teve início em 1º de janeiro de 2026. Para o aluguel residencial, haverá período de transição:

  • Aplicação inicial de alíquota simbólica de 1%;
  • Elevação gradual até a cobrança integral prevista para 2033;
  • Contratos firmados com empresas e não registrados até 31 de dezembro de 2025 passam a seguir o novo regime.

A legislação também permite que proprietários atualizem o valor declarado do imóvel para o preço de mercado, mediante pagamento de 4% sobre o ganho de capital.

Outros fatores que pressionam os preços

Além da reforma tributária, outros elementos continuam influenciando o valor das locações:

  • Contratos indexados ao IPCA ou IGP-M;
  • Alta demanda e oferta limitada em capitais e regiões metropolitanas;
  • Regras do inquilinato que proíbem a cobrança simultânea de duas garantias;
  • Necessidade de ajuste do IPTU por parte dos municípios, com estimativas de reajuste médio de até 21,5%.

Em 2025, o valor médio dos aluguéis residenciais no Brasil acumulou alta de 9,44%, superando a inflação oficial. A expectativa do mercado é que a nova estrutura tributária mantenha a pressão sobre os preços nos próximos anos.

O texto aprovado pelo Congresso, que substitui em grande parte o Projeto de Lei Complementar 108/2024, detalha o funcionamento do novo sistema tributário brasileiro. Embora o impacto varie conforme a realidade de cada cidade, o tema já mobiliza proprietários e inquilinos diante da possibilidade de aumento nos contratos a partir de 2026.


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