Relógio do Juízo Final é ajustado para 85 segundos da meia-noite

Trata-se da marca mais próxima já registrada desde a criação do indicador, em 1947

Eduardo Fogaça

Publicado em: 27 de janeiro de 2026

7 min.
Relógio do Juízo Final é ajustado para 85 segundos da meia-noite. Foto: Divulgação

Relógio do Juízo Final é ajustado para 85 segundos da meia-noite. Foto: Divulgação

Cientistas do Boletim dos Cientistas Atômicos ajustaram, nesta terça-feira (27), o chamado Relógio do Juízo Final para 85 segundos da meia-noite, o ponto simbólico que representa a aniquilação da humanidade. Trata-se da marca mais próxima já registrada desde a criação do indicador, em 1947.

O ajuste representa uma redução de quatro segundos em relação ao ano passado e reflete, segundo a organização, o agravamento de riscos globais relacionados a conflitos armados, armas nucleares, instabilidade política e avanços tecnológicos sem controle adequado.

O que motivou o novo ajuste do relógio

De acordo com o Boletim dos Cientistas Atômicos, organização sem fins lucrativos sediada em Chicago, a decisão foi baseada em uma combinação de fatores considerados críticos para a segurança global. Entre os principais pontos destacados estão:

  • Comportamento agressivo de potências nucleares, como Rússia, China e Estados Unidos;
  • Enfraquecimento dos acordos de controle de armas nucleares;
  • Conflitos em curso, especialmente a guerra na Ucrânia e as tensões no Oriente Médio;
  • Avanços e riscos associados à inteligência artificial, especialmente no campo militar e da desinformação.

Esta foi a terceira vez, nos últimos quatro anos, que os cientistas decidiram aproximar o relógio da meia-noite, indicando uma avaliação contínua de deterioração do cenário internacional.

Alerta sobre riscos nucleares e falha de liderança global

Em entrevista à agência Reuters, a especialista em política nuclear Alexandra Bell, presidente e CEO do Boletim, afirmou que o ajuste reflete uma falha global de liderança diante dos desafios atuais.

Segundo Bell, nada no cenário de 2025 indicava avanços positivos no campo da segurança nuclear. Ela destacou que o risco de uso de armas nucleares é hoje “insustentavelmente e inaceitavelmente alto”.

Entre os pontos de preocupação citados estão:

  • O enfraquecimento de estruturas diplomáticas históricas;
  • O retorno da ameaça de testes nucleares explosivos;
  • O aumento das preocupações com a proliferação nuclear;
  • Operações militares em andamento sob a sombra de armas nucleares e risco de escalada.

O Novo Tratado Start, último acordo de controle de armas nucleares entre Estados Unidos e Rússia, expira em 5 de fevereiro. Embora o presidente russo Vladimir Putin tenha proposto, em setembro, a prorrogação dos limites do tratado por mais um ano, não houve resposta formal por parte do então presidente dos EUA, Donald Trump.

Além disso, em outubro, Trump ordenou a retomada do processo de testes de armas nucleares pelas Forças Armadas norte-americanas, interrompidos há mais de três décadas.

Conflitos internacionais ampliam o cenário de risco

Alexandra Bell também chamou atenção para diversos focos de tensão ao redor do mundo, como:

  • A guerra contínua da Rússia na Ucrânia;
  • Bombardeios dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã;
  • Confrontos na fronteira entre Índia e Paquistão;
  • Tensões na Península Coreana;
  • Ameaças da China contra Taiwan;
  • Aumento das tensões no Hemisfério Ocidental após o retorno de Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos.

Segundo a presidente do Boletim, grandes potências têm adotado posturas cada vez mais agressivas e nacionalistas, o que contribui para a instabilidade global.

“Apocalipse da informação” também preocupa cientistas

O anúncio deste ano contou com a participação da jornalista Maria Ressa, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2021. Em comunicado, ela alertou para o que chamou de “apocalipse da informação”.

Para Ressa, a disseminação acelerada de desinformação, impulsionada por tecnologias digitais e modelos de negócio predatórios, aprofunda divisões sociais e agrava crises globais.

Um alerta criado após a Segunda Guerra Mundial

O Relógio do Juízo Final foi criado em 1947 por cientistas envolvidos no Projeto Manhattan, entre eles Albert Einstein e J. Robert Oppenheimer. Desde então, o indicador simbólico busca alertar a sociedade sobre a proximidade de catástrofes causadas pela ação humana, especialmente no campo nuclear.

O ajuste para 85 segundos da meia-noite reforça, segundo os cientistas, a urgência de ações diplomáticas, políticas e tecnológicas para reduzir riscos existenciais à humanidade.


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