O governo da Rússia bloqueou o acesso ao WhatsApp e ao Telegram no país nesta quarta-feira (11), ampliando a restrição a plataformas estrangeiras de comunicação. A medida também atinge Facebook e Instagram e faz parte de uma estratégia de centralização do tráfego de internet sob controle estatal. Como alternativa, autoridades passaram a promover o aplicativo Max, descrito como um “mensageiro nacional”.
O bloqueio ocorreu de forma abrupta e afetou milhões de usuários. Segundo o jornal britânico Financial Times, russos foram impedidos de acessar o WhatsApp na tarde de quarta-feira, após meses de pressão regulatória. Até então, o aplicativo da Meta somava cerca de 100 milhões de usuários no país.
Como o bloqueio foi possível
A ação só foi viabilizada após a Rússia centralizar o tráfego de internet dentro de seu território, roteando conexões por servidores controlados pelo Estado.
Com isso, o órgão regulador Roskomnadzor passou a ter poder para remover serviços inteiros do que funciona como um diretório nacional da internet, tornando-os inacessíveis para a população.
Nos últimos meses, o governo já vinha endurecendo regras contra mensageiros estrangeiros. O Telegram, por exemplo, vinha sofrendo restrições graduais até ter o acesso praticamente inviabilizado.
Qual é a justificativa oficial
O governo russo afirma que a medida busca reforçar a soberania digital e a segurança nacional. No entanto, reportagens internacionais indicam que o aplicativo estatal Max foi criado com foco em monitoramento.
Diferentemente do WhatsApp e do Telegram, que utilizam algum nível de criptografia para proteger as conversas, o Max não oferece esse tipo de proteção. Segundo o site especializado 9to5Mac, todas as mensagens trocadas no aplicativo podem ser lidas pelas autoridades.
O projeto é descrito como semelhante ao WeChat, plataforma chinesa conhecida pela integração com sistemas de monitoramento governamental.
Além dos mensageiros, a Rússia também bloqueou Facebook e Instagram e classificou a Meta como “organização extremista”, aprofundando o distanciamento de serviços ocidentais.
Bloqueio gera reação até entre apoiadores
A decisão provocou reações dentro do próprio país. O Telegram é amplamente utilizado por militares russos envolvidos na guerra na Ucrânia, tanto para comunicação pessoal quanto para alertas sobre ataques de drones e mísseis.
Relatos apontam que até apoiadores do presidente Vladimir Putin demonstraram irritação com o bloqueio, justamente por dependerem do aplicativo para informações rápidas e comunicação em áreas sensíveis.
A medida reforça a política de controle digital adotada por Moscou nos últimos anos e marca um novo capítulo na restrição ao uso de plataformas estrangeiras no país.
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