Seminário sobre enchente de 1974 termina sem obras e com novos estudos em Tubarão

Apesar da mobilização e dos debates, o encontro terminou com poucos avanços práticos e sem previsão concreta para obras estruturais

Eduardo Fogaça

Publicado em: 25 de março de 2026

5 min.
Seminário sobre enchente de 1974 termina sem obras e com novos estudos em Tubarão. Foto: Matheus Machado/Rádio Cidade Tubarão

Seminário sobre enchente de 1974 termina sem obras e com novos estudos em Tubarão. Foto: Matheus Machado/Rádio Cidade Tubarão

No dia 24 de março, data que marca a histórica enchente de 1974, Tubarão sediou o 17º Seminário em Memória à Tragédia. O evento reuniu autoridades, especialistas e comunidade para discutir ações de prevenção e mitigação de cheias na região. Apesar da mobilização e dos debates, o encontro terminou com poucos avanços práticos e sem previsão concreta para obras estruturais.

A principal expectativa em torno do seminário era a apresentação de soluções efetivas para reduzir os impactos de futuras enchentes. No entanto, o cenário apresentado ainda é de estudos em andamento e projetos em fase inicial.

Presença do governo e ausência no debate

Uma comitiva do Governo de Santa Catarina esteve em Tubarão na mesma data, incluindo o governador Jorginho Mello e o secretário de Proteção e Defesa Civil, Mário Hildebrandt. Apesar de realizarem anúncios voltados à Defesa Civil e ações de mitigação, as autoridades não participaram do seminário.

O evento contou com a presença de diversas lideranças na abertura, mas houve esvaziamento ao longo da programação, permanecendo apenas participantes diretamente envolvidos com o tema.

Estudos no Porto de Laguna avançam

Entre as ações apresentadas, destacam-se os estudos conduzidos pela Secretaria de Portos, Aeroportos e Ferrovias do Estado. O representante da pasta, Alex Bistek, detalhou o andamento de um projeto financiado com R$ 5 milhões, destinados pela bancada do sul da Alesc há cerca de dois anos.

O foco está nos Molhes da Barra, em Laguna, ponto estratégico por onde escoa a água da bacia do Rio Tubarão. As etapas em execução incluem:

  • Batimetria: levantamento da profundidade do canal e identificação de rochas;
  • Prospecção de infraestrutura: análise das condições do cais e definição da dragagem possível;
  • Fluidez hidrodinâmica: estudos para retirada de obstáculos e ampliação do canal, visando melhorar o escoamento da água.

A previsão é de conclusão dos estudos até o fim de 2026, com possibilidade de licenciamento e início das obras apenas no ano seguinte.

Novos estudos são lançados para Tubarão

No caso específico de Tubarão, o avanço mais recente ocorreu no dia 19 de março de 2026, com a publicação de editais de licitação para dois estudos:

  • Estudo geotécnico: avaliação da estabilidade das margens do Rio Tubarão e processos de erosão;
  • Modelagem hidrológica e hidrodinâmica: análise de áreas suscetíveis a inundações e alternativas de mitigação.

A justificativa técnica reforça a necessidade de etapas anteriores às obras. “Antes de falar em projetos, é necessário falar de estudos. E antes de falar em obras, é necessário falar de projetos”, resume a linha adotada pelos responsáveis.

Sem prazo para solução definitiva

O seminário reforçou a importância do debate e da memória histórica, mas evidenciou a ausência de ações concretas já executadas. A repetição do ciclo de estudos e planejamento, sem definição de cronograma para obras, mantém a população à espera de soluções efetivas.

Mais de cinco décadas após a enchente de 1974, Tubarão segue discutindo caminhos para evitar novas tragédias — ainda sem uma resposta definitiva.


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