Tomada de Laguna pode ficar fora do calendário oficial mais uma vez

Em entrevista à Rádio Cidade, o historiador e fundador do Instituto Cultural Anita Garibaldi, Adílcio Cadorin, detalhou as dificuldades enfrentadas para a realização do evento e alertou para os prejuízos culturais, turísticos e econômicos que a ausência do espetáculo representa para Laguna.

Eduardo Fogaça

Publicado em: 7 de janeiro de 2026

6 min.
Tomada de Laguna pode ficar fora do calendário oficial mais uma vez. Foto: Divulgação

Tomada de Laguna pode ficar fora do calendário oficial mais uma vez. Foto: Divulgação

Um dos mais importantes eventos históricos e culturais de Santa Catarina corre o risco de, novamente, não ser realizado. A reedição da Tomada de Laguna, espetáculo que relembra a epopeia farroupilha e a trajetória de Anita Garibaldi, segue sem data definida e pode ficar fora do calendário oficial do município.

Em entrevista à Rádio Cidade, o historiador e fundador do Instituto Cultural Anita Garibaldi, Adílcio Cadorin, detalhou as dificuldades enfrentadas para a realização do evento e alertou para os prejuízos culturais, turísticos e econômicos que a ausência do espetáculo representa para Laguna.

Evento suspenso e expectativa internacional frustrada

Segundo Cadorin, a Tomada de Laguna estava inicialmente agendada para novembro de 2024, com grande expectativa internacional, especialmente da Itália. Delegações da região de Rieti, onde Anita Garibaldi viveu com Giuseppe Garibaldi, planejavam uma visita ao município, inclusive com a possibilidade de voo charter.

No entanto, a falta de recursos inviabilizou o evento. A tentativa de remarcação para março de 2025 também não se concretizou, desta vez em razão da transição administrativa no município.

Mesmo com o cancelamento, grupos de italianos vieram a Laguna no período previsto para o espetáculo. Cerca de 20 visitantes permaneceram na cidade por 15 dias, mas não puderam assistir à encenação histórica, fato que gerou frustração entre os turistas.

Importância histórica, cultural e turística

Adílcio Cadorin destaca que a Tomada de Laguna vai muito além de uma encenação teatral. Para ele, trata-se de um dos principais instrumentos de preservação da memória histórica local e de fortalecimento do turismo cultural.

Laguna, segundo o historiador, possui forte potencial turístico, impulsionado pelo carnaval, pelo centro histórico e por sua relevância na história do Brasil. Ainda assim, a Tomada de Laguna se diferencia como um evento capaz de atrair visitantes nacionais e internacionais, gerando impacto direto na economia local.

Italianos ligados à rota histórica de Garibaldi consideram o espetáculo lagunense como o maior do mundo dentro da epopeia garibaldina, superando eventos realizados em outras cidades da Itália e da América do Sul.

Dependência de apoio institucional

O fundador do Instituto Cultural Anita Garibaldi explica que a realização do evento depende diretamente de apoio institucional e vontade política. Em 2024, parte significativa dos recursos foi viabilizada graças ao apoio da Celesc, com intermediação política que garantiu mais da metade do orçamento necessário.

Para uma nova edição, o projeto técnico está pronto, mas precisa ser reapresentado dentro das janelas da Lei Rouanet e da Lei de Incentivo à Cultura de Santa Catarina (LIC). Ainda assim, Cadorin afirma que não haverá novo protocolo sem uma sinalização clara do Executivo municipal.

Estrutura complexa e necessidade de contrapartida

A Tomada de Laguna envolve uma grande operação logística. O espetáculo conta com cerca de 400 atores, 50 a 60 cavalos, dois navios, além do fechamento de ruas do centro histórico e apoio de diversas instituições, como Polícia Militar e Marinha do Brasil.

Por ocorrer em espaços públicos, o evento exige contrapartidas da prefeitura, como limpeza urbana, transporte, infraestrutura e suporte operacional. Até o momento, segundo o historiador, não houve confirmação oficial por parte do prefeito Crippa sobre a realização da Tomada de Laguna nos próximos anos.

Instituto mantém insistência

Apesar das incertezas, o Instituto Cultural Anita Garibaldi afirma que não desistirá do projeto. A expectativa é conseguir viabilizar o evento em novembro, caso haja apoio político e institucional a tempo.

Para Cadorin, a persistência é essencial para garantir que Laguna não perca um de seus maiores patrimônios culturais e históricos, reconhecido internacionalmente.


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