Trapiche abandonado em Coqueiros volta ao centro de debate em Florianópolis

Estrutura histórica na praia da Saudade está em ruínas desde 2014 e moradores divergem sobre reconstrução no local ou novo projeto na orla

Ewertom Rodrigues

Publicado em: 8 de março de 2026

5 min.
Moradores de Coqueiros discutem futuro de trapiche histórico em Florianópolis, abandonado desde 2014 e com obra paralisada

Moradores de Coqueiros discutem futuro de trapiche histórico em Florianópolis, abandonado desde 2014 e com obra paralisada. - Foto: Pedro Perez/PMF/Reprodução

A situação do antigo trapiche de Coqueiros, na praia da Saudade, em Florianópolis, voltou a mobilizar moradores e lideranças comunitárias. Interditada há mais de uma década por problemas estruturais, a construção permanece abandonada e sem definição sobre seu futuro, enquanto a prefeitura avalia possíveis alternativas para o espaço.

O trapiche foi construído na década de 1960 e, por muitos anos, funcionou como ponto de encontro da comunidade e área de lazer para moradores e visitantes. Com o passar do tempo e a falta de manutenção, a estrutura se deteriorou até ser interditada pela Defesa Civil em 2014 por risco estrutural.

Desde então, o local segue sem uso e se tornou alvo de discussões sobre qual seria o melhor destino para a área.

Comunidade cobra solução para espaço histórico

Moradores do bairro afirmam que o abandono do trapiche representa a perda de um espaço simbólico para Coqueiros. Parte da comunidade defende que a prefeitura reconstrua a estrutura no mesmo local, preservando o valor histórico do ponto.

Representantes comunitários relatam que iniciativas foram organizadas para demonstrar o interesse popular na obra, incluindo mobilizações e consultas entre moradores da região.

A expectativa é que o espaço volte a servir como área pública de convivência, com melhorias de iluminação, segurança e infraestrutura para lazer.

Divergência sobre melhor localização

Apesar do reconhecimento do valor histórico do trapiche, nem todos concordam que a reconstrução deva ocorrer exatamente no mesmo ponto.

Alguns moradores e profissionais da área de urbanismo defendem que um novo equipamento público poderia ser instalado em uma área mais visível ou de maior circulação no bairro. A avaliação é que um local com maior fluxo de pessoas ampliaria o uso do espaço e o potencial turístico da estrutura.

Essa divergência tem alimentado discussões sobre qual projeto atenderia melhor aos interesses da comunidade e da cidade.

Alternativas incluem novo trapiche ou deck na orla

Entre as possibilidades discutidas estão a construção de um novo trapiche na praia da Saudade ou a implantação de um deck de madeira integrado à orla, próximo às pedras da região.

A análise dessas opções envolve critérios como impacto ambiental, potencial de uso público e custos de implantação. A intenção, segundo lideranças comunitárias, é encontrar um modelo que combine valorização urbana com preservação da paisagem costeira.

Projeto chegou a iniciar, mas não avançou

A prefeitura chegou a apresentar um projeto para substituir a estrutura antiga por um novo trapiche. A proposta previa investimento de cerca de R$ 2,5 milhões.

As obras chegaram a ser iniciadas em 2023, porém foram interrompidas e não avançaram desde então. Em 2024, o município voltou a discutir o tema com representantes da comunidade, mas nenhuma decisão definitiva foi anunciada.

Enquanto o impasse permanece, o antigo trapiche continua em estado de abandono, aguardando uma definição que determine se o espaço será recuperado, reconstruído ou substituído por outra estrutura pública na região.


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