A presença rara de um esquilo no Sul de Santa Catarina, o aumento expressivo de atropelamentos de animais silvestres e os impactos da expansão urbana sobre áreas verdes foram alguns dos temas abordados pelo biólogo Vítor Bastos em entrevista concedida nesta segunda-feira 19 à Rádio Cidade em Dia 89.9 FM, do Grupo SCTODODIA de Comunicação. A conversa foi conduzida pelo jornalista Denis Luciano e trouxe alertas importantes sobre a relação entre desenvolvimento urbano e preservação ambiental em Criciúma e região.
Logo no início da entrevista, Bastos comentou o registro recente de um esquilo em Cocal do Sul, feito por uma moradora que acompanha o trabalho do projeto Fauna Nativa. Segundo o biólogo, embora muitas pessoas associem o animal a outros países, o Brasil possui diversas espécies de esquilos, sendo que a presença no Sul catarinense é considerada rara. Registros fotográficos só passaram a ocorrer nos últimos anos, o que torna o flagrante ainda mais relevante para o monitoramento da fauna regional.
Além da curiosidade envolvendo o esquilo, o biólogo chamou atenção para um problema recorrente e preocupante: os atropelamentos de animais silvestres nas rodovias da região. Um dos trechos mais críticos, segundo ele, é a SC-108, entre Mina Brasil e São Simão, área que margeia a APA do Morro Estevão. De acordo com Bastos, entre dezembro de 2024 e janeiro de 2026, pelo menos 50 animais silvestres morreram atropelados no local, sem contar gambás, que elevariam esse número de forma significativa.
Entre as espécies vitimadas estão quatis, cachorro-do-mato, mão-pelada, ouriços e até capivaras. Para o biólogo, a situação poderia ser drasticamente reduzida com a implantação de passagens subterrâneas para fauna, associadas a cercamentos adequados, medida que já é adotada em outras regiões do país e do mundo.
Outro ponto destacado na entrevista foi a presença cada vez mais frequente de animais silvestres em áreas urbanas. Bastos relatou ocorrências recentes envolvendo quatis, ouriços, gambás e até um furão encontrado dentro de uma residência em Içara. Segundo ele, o avanço da cidade sobre áreas verdes tem forçado esses animais a buscar novos espaços, aumentando conflitos e riscos tanto para a fauna quanto para a população.
O biólogo também comentou sobre empreendimentos imobiliários em regiões de morro, como o Morro Sekineo e o Morro do Céu. Ele ressaltou que não é contra o crescimento urbano, mas defende que obras sejam precedidas de estudos ambientais mais rigorosos e executadas com medidas de mitigação, como resgate de animais, preservação de corredores ecológicos e manutenção de áreas verdes estratégicas.
Durante a entrevista, Bastos reforçou que a falta de conhecimento sobre a fauna local ainda é um dos maiores entraves para a preservação. Segundo ele, muitos animais são tratados como “invisíveis” pela sociedade, o que contribui para atropelamentos, maus-tratos e até caça ilegal.
Para a população que se depara com animais silvestres em situação de risco, o biólogo orienta que o correto é acionar o Corpo de Bombeiros, a Polícia Ambiental ou a diretoria de meio ambiente do município. Ele também colocou o projeto Fauna Nativa Criciúma à disposição para orientar e auxiliar em casos de resgate.
Ao final da entrevista, o jornalista Denis Luciano destacou a importância do trabalho desenvolvido por Bastos e reforçou que desenvolvimento e preservação ambiental podem caminhar juntos, desde que haja planejamento, responsabilidade e respeito à vida silvestre.
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