Sete décadas após começar a orientar agricultores diretamente nas propriedades, a extensão rural se consolida como um dos principais pilares da produção de alimentos em Santa Catarina. O trabalho técnico desenvolvido ao longo desses anos ajudou a transformar a forma de produzir, organizar e comercializar no campo, impactando renda, qualidade de vida e sucessão familiar.
Presente em praticamente todos os municípios catarinenses, a assistência técnica oferecida por órgãos como a Epagri contribuiu para que o estado se tornasse o quinto maior produtor de alimentos do Brasil, mesmo ocupando apenas 1% do território nacional.
Transformação no campo catarinense
Desde o início das atividades, os extensionistas atuaram diretamente nas propriedades rurais, levando informação, políticas públicas e orientação técnica onde muitas vezes o poder público ou empresas privadas não chegavam.
Entre as principais mudanças registradas ao longo dessas sete décadas estão:
- Diversificação das culturas agrícolas;
- Profissionalização da gestão das pequenas propriedades;
- Formação de associações e cooperativas;
- Aumento da produtividade;
- Melhoria na qualidade dos produtos;
- Abertura de novos mercados para os agricultores.
Em entrevista à Rádio Cidade, o diretor de Extensão Rural da Epagri, Gustavo Claudino, destacou que o desenvolvimento do agronegócio catarinense está diretamente ligado ao trabalho histórico da extensão rural.
Segundo ele, a atuação dos profissionais foi fundamental para estruturar cooperativas que hoje se tornaram referências estaduais e para garantir que informações técnicas e políticas públicas chegassem tanto a agricultores quanto a pescadores em todas as regiões.
Desafios atuais e redução de desigualdades
Apesar dos avanços, a extensão rural ainda enfrenta desafios importantes. Um dos principais é reduzir desigualdades regionais e garantir que pequenos produtores permaneçam competitivos em um mercado cada vez mais dinâmico.
De acordo com Gustavo Claudino, o trabalho precisa estar em constante atualização. Embora a atuação aconteça “porteira adentro”, é essencial que os profissionais estejam atentos às mudanças do cenário econômico e às tendências de mercado.
Entre os pontos que exigem atenção estão:
- Conhecimento sobre mercado e formação de preços;
- Análise de tendências e mercado futuro;
- Apoio na tomada de decisão das famílias rurais;
- Atualização constante das informações técnicas.
A proposta é que o extensionista atue como elo entre inovação, políticas públicas e realidade das propriedades.
Clima, tecnologia e sustentabilidade no horizonte
O futuro da extensão rural passa por novos desafios estruturais. Eventos climáticos extremos, transição energética, agricultura de precisão e mudanças no perfil do consumidor exigem uma assistência técnica mais estratégica e conectada.
Entre as mudanças em andamento estão:
- Integração da extensão rural com a regularização ambiental;
- Foco em sustentabilidade e agricultura de longo prazo;
- Apoio à sucessão familiar;
- Capacitação e profissionalização de jovens no campo.
Segundo o diretor da Epagri, é fundamental preparar a nova geração para assumir as propriedades com visão empresarial, domínio tecnológico e compromisso com a sustentabilidade.
A adaptação às mudanças climáticas e a transformação digital passam a integrar de forma permanente a agenda do setor, consolidando a extensão rural como instrumento de permanência no campo.
Entre tradição e inovação, o debate agora se concentra em como manter o legado construído ao longo de 70 anos e garantir que ele continue respondendo às necessidades de quem produz alimentos em Santa Catarina.
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