Dois filhotes de toninha foram encontrados mortos em praias de Laguna, no Litoral Sul de Santa Catarina, reacendendo o alerta sobre a situação crítica da espécie na região. Os registros fazem parte de uma sequência recente de encalhes de mamíferos marinhos, monitorada por equipes ambientais e pesquisadores que atuam no litoral catarinense.
Um dos animais foi localizado na Praia do Sol. O filhote, um macho com cerca de 80 centímetros de comprimento, apresentava indícios iniciais de afogamento, possivelmente após interação com rede de pesca. O corpo foi recolhido e encaminhado para necropsia, que deverá confirmar oficialmente a causa da morte. O segundo caso envolve uma fêmea de porte semelhante, encontrada sem vida na Praia do Gi.
Aumento de encalhes preocupa especialistas
Além dos dois filhotes, técnicos ambientais registraram diversos outros encalhes em um curto intervalo de tempo ao longo do trecho costeiro entre os Molhes da Barra de Laguna e a região de Imbituba. O aumento das ocorrências reforça a vulnerabilidade da toninha, uma espécie costeira que sofre forte impacto das atividades humanas.
Especialistas ressaltam que os casos não têm relação com a pesca artesanal cooperativa realizada com os botos-nariz-de-garrafa em Laguna. Essa prática tradicional, reconhecida como patrimônio cultural, ocorre de forma distinta e não representa ameaça direta à espécie.
Captura acidental é a principal ameaça
Pequena e discreta, a toninha está entre os cetáceos mais ameaçados do Atlântico Sul. A principal causa de mortalidade continua sendo a captura acidental em redes de pesca, considerada hoje o maior risco à sobrevivência da espécie.
Cada novo registro de encalhe contribui para o monitoramento e para a compreensão dos impactos sofridos pela toninha no litoral sul. Os dados coletados auxiliam na formulação de políticas públicas e ações de conservação voltadas à proteção da fauna marinha.
Orientação à população
As autoridades ambientais orientam que, ao encontrar um animal marinho encalhado, a população não deve tocar nele nem tentar devolvê-lo ao mar. A recomendação é acionar imediatamente os guarda-vidas ou os órgãos ambientais responsáveis. O acompanhamento adequado desses casos integra um programa permanente de monitoramento do litoral, considerado fundamental para a preservação dos ecossistemas marinhos em Santa Catarina.
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