Ostras ficam verdes em Florianópolis e surpreendem produtores

Fenômeno raro deixa ostras verdes na Baía Sul e pode indicar alta qualidade nutricional dos moluscos

Redação

Publicado em: 13 de abril de 2026

4 min.
Ostras ficam verdes em Florianópolis e surpreendem produtores - Foto: Divulgação/UFSC

Ostras ficam verdes em Florianópolis e surpreendem produtores - Foto: Divulgação/UFSC

Um fenômeno raro registrado nas últimas semanas na Baía Sul, em Florianópolis, chamou a atenção de maricultores e pesquisadores: ostras com coloração esverdeada começaram a aparecer nos cultivos locais. Apesar da aparência incomum, especialistas garantem que o fenômeno não representa risco — pelo contrário, pode indicar maior qualidade do produto.

De acordo com pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a mudança na coloração é causada pela proliferação de microalgas do grupo das diatomáceas, que servem como fonte nutricional para moluscos como ostras, mexilhões e vieiras.

A ocorrência foi identificada após consumidores relatarem um aspecto diferente nas ostras. A partir disso, análises realizadas por laboratórios da UFSC confirmaram a presença de microalgas do gênero Haslea, possivelmente da espécie Haslea ostrearia, conhecida por produzir um pigmento azul que pode deixar os moluscos esverdeados.

Fenômeno raro e valorizado no exterior

Embora incomum em Santa Catarina, o fenômeno já foi registrado anteriormente no estado, há mais de uma década. Em outros países, como a França, ostras com essa coloração são consideradas uma iguaria. Na região de Marennes-Oléron, por exemplo, as chamadas “ostras verdes” possuem certificação de qualidade e são valorizadas no mercado gastronômico.

Potencial científico e econômico

Segundo os pesquisadores, a microalga não produz toxinas e pode até agregar valor nutricional aos moluscos. Agora, os estudos avançam para:

  • Confirmar a espécie exata da microalga por meio de análises moleculares;
  • Identificar as condições ambientais que favoreceram o fenômeno;
  • Avaliar possibilidades de cultivo controlado em laboratório.

Fatores como correntes marítimas, temperatura da água, ventos e ondas de calor estão sendo analisados para entender por que o fenômeno voltou a ocorrer.

Além do impacto na maricultura, os cientistas destacam que a microalga possui potencial para aplicações biotecnológicas, incluindo uso na indústria de alimentos e até no setor farmacêutico.

Atualmente, a coloração esverdeada foi observada apenas na Baía Sul, sem registros na Baía Norte de Florianópolis.


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