Um fenômeno raro registrado nas últimas semanas na Baía Sul, em Florianópolis, chamou a atenção de maricultores e pesquisadores: ostras com coloração esverdeada começaram a aparecer nos cultivos locais. Apesar da aparência incomum, especialistas garantem que o fenômeno não representa risco — pelo contrário, pode indicar maior qualidade do produto.
De acordo com pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a mudança na coloração é causada pela proliferação de microalgas do grupo das diatomáceas, que servem como fonte nutricional para moluscos como ostras, mexilhões e vieiras.
A ocorrência foi identificada após consumidores relatarem um aspecto diferente nas ostras. A partir disso, análises realizadas por laboratórios da UFSC confirmaram a presença de microalgas do gênero Haslea, possivelmente da espécie Haslea ostrearia, conhecida por produzir um pigmento azul que pode deixar os moluscos esverdeados.
Fenômeno raro e valorizado no exterior
Embora incomum em Santa Catarina, o fenômeno já foi registrado anteriormente no estado, há mais de uma década. Em outros países, como a França, ostras com essa coloração são consideradas uma iguaria. Na região de Marennes-Oléron, por exemplo, as chamadas “ostras verdes” possuem certificação de qualidade e são valorizadas no mercado gastronômico.
Potencial científico e econômico
Segundo os pesquisadores, a microalga não produz toxinas e pode até agregar valor nutricional aos moluscos. Agora, os estudos avançam para:
- Confirmar a espécie exata da microalga por meio de análises moleculares;
- Identificar as condições ambientais que favoreceram o fenômeno;
- Avaliar possibilidades de cultivo controlado em laboratório.
Fatores como correntes marítimas, temperatura da água, ventos e ondas de calor estão sendo analisados para entender por que o fenômeno voltou a ocorrer.
Além do impacto na maricultura, os cientistas destacam que a microalga possui potencial para aplicações biotecnológicas, incluindo uso na indústria de alimentos e até no setor farmacêutico.
Atualmente, a coloração esverdeada foi observada apenas na Baía Sul, sem registros na Baía Norte de Florianópolis.
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