A transição energética e o futuro do carvão mineral no Brasil passam por novas tecnologias que já estão em desenvolvimento no Sul de Santa Catarina. O tema foi destaque em entrevista do presidente da Associação Brasileira do Carbono Sustentável (ABCS), Fernando Zancan, nesta quarta-feira (18), na rádio Cidade em Dia, ao jornalista Denis Luciano.
Segundo Zancan, uma recente missão internacional à Ásia, que incluiu Japão e China, teve como objetivo avaliar tecnologias já aplicadas em larga escala, principalmente nas áreas de captura de carbono e reaproveitamento de resíduos do carvão.
Entre os destaques, está a produção de zeólitas a partir das cinzas de termelétricas, tecnologia desenvolvida pela SATC, em Criciúma, que pode dar origem a fertilizantes e outros produtos de alto valor agregado.
Indústria pode surgir no Sul em até quatro anos
De acordo com o presidente da ABCS, o avanço das pesquisas já permite projetar a instalação de uma fábrica no Sul catarinense.
A expectativa é que, em um prazo de três a quatro anos, a região de Tubarão e Capivari de Baixo possa receber uma unidade industrial voltada à produção de fertilizantes a partir desse processo.
“O caminho agora é sair da escala piloto e avançar na engenharia e no licenciamento ambiental. O produto precisa ser validado pelo mercado, especialmente pelo agricultor”, explicou.
China lidera tecnologia e inspira projetos brasileiros
Durante a visita à China, a comitiva brasileira conheceu de perto plantas industriais e projetos em operação, especialmente na área de captura de CO2 — considerada estratégica para o futuro do carvão.
Um dos projetos visitados utiliza uma tecnologia que pode ser uma das mais baratas disponíveis atualmente, com características semelhantes às que estão sendo estudadas no Brasil.
“A China hoje é o motor da tecnologia do carvão no mundo. Eles estão avançados tanto na captura de carbono quanto na transformação do carvão em produtos químicos”, afirmou Zancan.
Captura de carbono é aposta para manter o carvão
Apesar da pressão global por fontes renováveis, o dirigente destacou que o debate atual não é mais sobre o fim do carvão, mas sobre a redução das emissões.
Nesse cenário, a captura de CO2 surge como alternativa para manter a atividade com menor impacto ambiental. No entanto, a viabilidade comercial dessa tecnologia ainda depende de políticas públicas, como a precificação do carbono.
A previsão é que soluções mais amplas só estejam disponíveis em escala comercial a partir de 2035.
Energia, fertilizantes e segurança nacional
Outro ponto destacado na entrevista é a relação entre energia, geopolítica e produção de fertilizantes. Segundo Zancan, conflitos internacionais, especialmente no Oriente Médio, impactam diretamente o custo desses insumos no Brasil.
Hoje, grande parte dos fertilizantes nitrogenados utilizados no país depende de importação e tem como base o gás natural. Já a China utiliza carvão para produzir esses insumos, garantindo maior autonomia.
“O Brasil tem carvão e tecnologia para isso. Falta uma política pública consistente para estimular a produção nacional”, afirmou.
Projetos dependem de planejamento de longo prazo
Zancan reforçou que projetos de energia e infraestrutura exigem planejamento e tempo de maturação. Segundo ele, empreendimentos desse porte levam, em média, cerca de 10 anos entre licenciamento, construção e operação.
Além disso, o avanço depende de parcerias internacionais. Enquanto a China se destaca na área química do carvão, os Estados Unidos e o Japão também são vistos como parceiros estratégicos em outras frentes, como terras raras e uso do CO2.
“Não dá para fazer sozinho. É preciso buscar parceiros e acelerar as decisões. Temos um horizonte curto para implementar essas soluções”, concluiu.
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