Atendimento veterinário domiciliar ganha regras nacionais

CFMV publica resolução que padroniza o serviço no país, define limites para procedimentos invasivos e reforça segurança para profissionais e tutores

Ewertom Rodrigues

Publicado em: 13 de março de 2026

7 min.
CFMV publica resolução que padroniza atendimento veterinário domiciliar e define procedimentos permitidos e proibidos no país

CFMV publica resolução que padroniza atendimento veterinário domiciliar e define procedimentos permitidos e proibidos no país. - Foto: Freepik

O atendimento veterinário domiciliar passou a ter regras nacionais no Brasil após a publicação da Resolução nº 1.690/2026 do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV). A normativa estabelece orientações e limites para profissionais que realizam consultas e procedimentos em casa, modalidade que tem crescido nos últimos anos e representa uma alternativa de trabalho para médicos-veterinários.

A medida busca padronizar a prática em todo o país, definindo quais procedimentos podem ou não ser realizados durante atendimentos domiciliares, além de orientar sobre documentação, transporte de medicamentos e responsabilidade profissional.

Segundo Eliane Macedo Berneri, mestre em Ciência Animal nos Trópicos e analista médica-veterinária do setor de fiscalizações do CFMV, a resolução surgiu para suprir a falta de regulamentação nacional.

“Diante da ausência de normatização em âmbito federal para a atuação do médico-veterinário domiciliar em animais de estimação de pequeno porte, o CFMV elaborou esta resolução. O objetivo é orientar o profissional sobre as condutas e cuidados necessários no atendimento”, explica.

O que é permitido no atendimento domiciliar

A resolução funciona como um guia prático para os profissionais que atuam nesse tipo de serviço. Entre os procedimentos permitidos estão:

  • Identificação do animal e coleta de histórico clínico (anamnese)
  • Exame físico e diagnóstico
  • Prescrição de tratamentos
  • Administração de vacinas e outros imunobiológicos
  • Uso de sedativos ou tranquilizantes, com monitoramento até a recuperação
  • Fluidoterapia apenas durante a permanência do veterinário no local

Também são autorizados procedimentos simples, como sutura superficial, coleta de material biológico e drenagem de abscessos.

Procedimentos proibidos em casa

Por outro lado, a resolução estabelece limites claros para garantir segurança ao paciente, ao profissional e ao ambiente.

Entre os procedimentos expressamente proibidos no atendimento domiciliar estão:

  • Cirurgias de qualquer tipo
  • Coleta de líquido cefalorraquidiano
  • Coleta de derrames torácicos, pericárdicos ou pleurais
  • Coleta de secreções traqueobrônquicas
  • Administração de quimioterápicos antineoplásicos injetáveis
  • Transfusões sanguíneas
  • Cateterismos profundos

A anestesia geral só é permitida quando utilizada em procedimentos de eutanásia.

Documentação obrigatória

Mesmo sem exigir uma autorização específica para esse tipo de atendimento, a legislação estabelece algumas obrigações.

Entre elas estão:

  • Registro do profissional no Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV) do estado onde atua
  • Elaboração de prontuário clínico, físico ou eletrônico, com data e assinatura
  • Implantação de Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde (PGRSS)
  • Emissão de documentos como atestados, termos e relatórios quando necessário

De acordo com o CFMV, o descumprimento das normas pode gerar processos ético-profissionais.

Mercado em expansão

O atendimento veterinário domiciliar também tem sido visto como uma oportunidade de empreendedorismo na área.

Os médicos-veterinários Fabrício Araújo Gomes e Andressa Adrielly Alves Araújo, por exemplo, começaram a atuar nesse formato em 2015 e já realizaram mais de 10 mil atendimentos em domicílio.

Segundo Fabrício, a ideia surgiu quando perceberam uma demanda crescente por consultas em casa.

“No início, algumas pessoas procuravam a clínica perguntando se havia atendimento domiciliar. Ao observar essa demanda, percebemos que havia uma oportunidade clara”, afirma.

Com o crescimento da atividade, a média de atendimentos semanais passou de 30 para cerca de 50 após a contratação de novos profissionais.

Vantagens e desafios da modalidade

Entre os principais benefícios apontados pelos profissionais estão:

  • Flexibilidade de horários
  • Maior controle da agenda
  • Possibilidade de ganhos financeiros maiores
  • Relação mais próxima com os tutores e os animais

Por outro lado, o trabalho também apresenta desafios, como dependência do trânsito e das condições climáticas.

Para os profissionais, a nova resolução do CFMV traz mais segurança para quem atua na área.

Antes da norma federal, apenas alguns estados possuíam regras próprias — e muitas vezes com diferenças entre si. Em alguns locais, por exemplo, a eutanásia era permitida no atendimento domiciliar, enquanto em outros era proibida.

Com a regulamentação nacional, a expectativa é que haja mais clareza e padronização para os veterinários e para os tutores de animais em todo o país.


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