A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS identificou indícios de ligação entre a publicitária Danielle Miranda Fonteles e a Spyder Consultoria, empresa investigada por movimentar R$ 371 milhões em apenas seis meses, apesar de apresentar características típicas de uma firma de fachada. As informações constam em relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) encaminhados ao Congresso Nacional.
A investigação ganhou força após a identificação de um pagamento de R$ 200 mil feito pela Spyder a Danielle Fonteles. Segundo a CPMI, a empresa não possui site institucional, presença em redes sociais e tem como sócio formal um auxiliar de serviços gerais de 25 anos, fatores que levantaram suspeitas sobre a real atividade da consultoria.
Movimentação milionária chamou atenção da CPMI
De acordo com dados analisados pelos parlamentares, a Spyder Consultoria recebeu R$ 185,5 milhões em créditos e realizou R$ 185,8 milhões em débitos apenas no primeiro semestre de 2025. Pelo critério do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), esse volume financeiro enquadraria a empresa como de grande porte, com faturamento anual superior a R$ 300 milhões.
Apesar disso, o capital social da Spyder é de apenas R$ 120 mil, o equivalente a 0,032% do total movimentado no período. A empresa foi registrada em 13 de dezembro de 2024 e, duas semanas depois, já havia movimentado cerca de R$ 16 milhões, segundo informações da Receita Federal enviadas à CPMI.
Relação com empresas usadas pelo Careca do INSS
A CPMI chegou à Spyder após identificar transferências oriundas da Dinar S/A Participações, empresa apontada como uma das estruturas utilizadas pelo empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. A Dinar também recebeu recursos da Arpar, pertencente a Antunes, e da Confederação Brasileira dos Trabalhadores de Pesca e Aquicultura (CBPA), entidade investigada no caso conhecido como Farra do INSS.
Os investigadores apontam que a Spyder integra uma rede de empresas que teriam sido usadas para a circulação de grandes volumes de recursos.
Pagamento e versão da defesa
Em nota enviada à CPMI e ao Supremo Tribunal Federal (STF), a defesa de Danielle Fonteles afirmou que o valor de R$ 200 mil corresponde a uma parcela da venda de um imóvel em Trancoso, distrito de Porto Seguro, na Bahia. Segundo a publicitária, o pagamento foi ordenado pelo Careca do INSS e, até o depósito, ela não tinha conhecimento da existência da Spyder Consultoria.
Ainda conforme a nota, a negociação previa 13 parcelas e acabou sendo desfeita após Antunes perder a capacidade financeira de honrar o contrato, resultando em um distrato formalizado e apresentado às autoridades.
Histórico político e atuação internacional
Danielle Fonteles é conhecida por ter atuado como responsável por campanhas eleitorais do Partido dos Trabalhadores (PT), incluindo a campanha presidencial de Dilma Rousseff em 2010. A Polícia Federal também aponta a publicitária como sócia do Careca do INSS na empresa Cannabis World, voltada à maconha medicinal, sediada em Portugal.
Mensagens obtidas pela coluna do jornalista Tácio Lorran, do portal Metrópoles, indicam que Danielle coordenava a operação do negócio de cannabis no país europeu, acompanhando projetos e avaliações técnicas.
Procurada, a defesa de Antônio Carlos Camilo Antunes informou que o empresário não irá se manifestar sobre o caso.
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