A crise enfrentada pelos produtores de cebola de Santa Catarina, provocada por uma supersafra e pela queda acentuada nos preços, motivou a proposta de uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado (Alesc). A iniciativa partiu do deputado estadual Mário Motta e foi detalhada em entrevista à Rádio Cidade Tubarão 103.7 FM.
Segundo o parlamentar, o objetivo é discutir medidas emergenciais e estruturantes para enfrentar o prejuízo acumulado pelos agricultores, especialmente na região do Vale do Itajaí, onde municípios como Ituporanga — conhecida como a capital nacional da cebola — já decretaram situação de emergência econômica.
Preço abaixo do custo de produção
Durante a entrevista à Rádio Cidade Tubarão 103.7 FM, Mário Motta destacou que o preço médio pago atualmente ao produtor varia entre R$ 0,60 e R$ 0,70 por quilo, valor abaixo do custo de produção.
“Nós já passamos pela crise do leite, temos passado por outras crises, e a da cebola é proposta por nosso gabinete junto à Comissão de Agricultura para discutir justamente a crise econômica enfrentada pelos produtores de cebola de Santa Catarina em decorrência, por incrível que pareça, de uma supersafra”, afirmou.
De acordo com o deputado, o excesso de oferta no mercado, resultado do aumento da produção em Santa Catarina e na região Sul, provocou uma redução significativa no valor pago no campo. A situação, segundo ele, compromete a sustentabilidade econômica dos agricultores.
“Há algo profundamente errado quando o agricultor trabalha o ano inteiro e termina devendo”, declarou.
Impacto regional e decretos de emergência
O Vale do Itajaí concentra parte significativa da produção catarinense. Com a queda nos preços e o acúmulo de prejuízos, municípios impactados passaram a reconhecer oficialmente a gravidade da situação.
A preocupação, segundo Motta, vai além da safra atual. Ele questiona se os produtores terão estímulo financeiro para investir no próximo ciclo produtivo diante dos prejuízos registrados.
Propostas em debate
A audiência pública deverá reunir representantes:
- Da Comissão de Agricultura da Alesc;
- Do Ministério da Agricultura;
- Da Secretaria de Estado da Agricultura;
- De entidades representativas dos produtores;
- Do cooperativismo;
- De instituições financeiras;
- De prefeituras dos municípios afetados.
Entre as medidas que devem ser discutidas estão:
- Linhas de crédito emergenciais;
- Renegociação de dívidas;
- Apoio à comercialização;
- Incentivo à agroindustrialização;
- Diversificação produtiva;
- Ampliação da capacidade de armazenamento.
O parlamentar também mencionou fatores estruturais que agravam o cenário, como a importação de cebola do Mercosul e a falta de mecanismos de compra governamental que permitam a formação de estoques reguladores.
Debate sobre políticas estruturais
Para o deputado, é necessário avançar em soluções que evitem a repetição de crises semelhantes. Ele defende políticas públicas que garantam maior estabilidade ao setor e protejam o produtor das oscilações extremas de mercado.
A data da audiência pública ainda será definida pela Comissão de Agricultura da Assembleia Legislativa.
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