Crise da cebola leva Alesc a propor audiência pública em Santa Catarina

A iniciativa partiu do deputado estadual Mário Motta e foi detalhada em entrevista à Rádio Cidade Tubarão 103.7 FM

Eduardo Fogaça

Publicado em: 24 de fevereiro de 2026

5 min.
Crise da cebola leva Alesc a propor audiência pública em Santa Catarina. Foto: Agência AL/Cleia Bragagnolo

Crise da cebola leva Alesc a propor audiência pública em Santa Catarina. Foto: Agência AL/Cleia Bragagnolo

A crise enfrentada pelos produtores de cebola de Santa Catarina, provocada por uma supersafra e pela queda acentuada nos preços, motivou a proposta de uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado (Alesc). A iniciativa partiu do deputado estadual Mário Motta e foi detalhada em entrevista à Rádio Cidade Tubarão 103.7 FM.

Segundo o parlamentar, o objetivo é discutir medidas emergenciais e estruturantes para enfrentar o prejuízo acumulado pelos agricultores, especialmente na região do Vale do Itajaí, onde municípios como Ituporanga — conhecida como a capital nacional da cebola — já decretaram situação de emergência econômica.

Preço abaixo do custo de produção

Durante a entrevista à Rádio Cidade Tubarão 103.7 FM, Mário Motta destacou que o preço médio pago atualmente ao produtor varia entre R$ 0,60 e R$ 0,70 por quilo, valor abaixo do custo de produção.

“Nós já passamos pela crise do leite, temos passado por outras crises, e a da cebola é proposta por nosso gabinete junto à Comissão de Agricultura para discutir justamente a crise econômica enfrentada pelos produtores de cebola de Santa Catarina em decorrência, por incrível que pareça, de uma supersafra”, afirmou.

De acordo com o deputado, o excesso de oferta no mercado, resultado do aumento da produção em Santa Catarina e na região Sul, provocou uma redução significativa no valor pago no campo. A situação, segundo ele, compromete a sustentabilidade econômica dos agricultores.

“Há algo profundamente errado quando o agricultor trabalha o ano inteiro e termina devendo”, declarou.

Impacto regional e decretos de emergência

O Vale do Itajaí concentra parte significativa da produção catarinense. Com a queda nos preços e o acúmulo de prejuízos, municípios impactados passaram a reconhecer oficialmente a gravidade da situação.

A preocupação, segundo Motta, vai além da safra atual. Ele questiona se os produtores terão estímulo financeiro para investir no próximo ciclo produtivo diante dos prejuízos registrados.

Propostas em debate

A audiência pública deverá reunir representantes:

  • Da Comissão de Agricultura da Alesc;
  • Do Ministério da Agricultura;
  • Da Secretaria de Estado da Agricultura;
  • De entidades representativas dos produtores;
  • Do cooperativismo;
  • De instituições financeiras;
  • De prefeituras dos municípios afetados.

Entre as medidas que devem ser discutidas estão:

  • Linhas de crédito emergenciais;
  • Renegociação de dívidas;
  • Apoio à comercialização;
  • Incentivo à agroindustrialização;
  • Diversificação produtiva;
  • Ampliação da capacidade de armazenamento.

O parlamentar também mencionou fatores estruturais que agravam o cenário, como a importação de cebola do Mercosul e a falta de mecanismos de compra governamental que permitam a formação de estoques reguladores.

Debate sobre políticas estruturais

Para o deputado, é necessário avançar em soluções que evitem a repetição de crises semelhantes. Ele defende políticas públicas que garantam maior estabilidade ao setor e protejam o produtor das oscilações extremas de mercado.

A data da audiência pública ainda será definida pela Comissão de Agricultura da Assembleia Legislativa.


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