Damares divulga nomes de igrejas e pastores citados na CPMI do INSS

A CPMI do INSS foi instalada em 2025 para apurar irregularidades em contratos de empréstimos consignados e outros desvios que teriam prejudicado aposentados e pensionistas.

Eduardo Fogaça

Publicado em: 15 de janeiro de 2026

6 min.
Damares divulga nomes de igrejas e pastores citados na CPMI do INSS. Foto: Divulgação/Agência Senado

Damares divulga nomes de igrejas e pastores citados na CPMI do INSS. Foto: Divulgação/Agência Senado

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) divulgou a lista de igrejas e pastores citados na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A publicação ocorreu após cobranças públicas feitas pelo pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, que acusou a parlamentar de expor a ligação de religiosos com o esquema sem apresentar nomes.

A CPMI do INSS foi instalada em 2025 para apurar irregularidades em contratos de empréstimos consignados e outros desvios que teriam prejudicado aposentados e pensionistas. Damares é autora do requerimento que criou a comissão e atua como membro titular desde o início dos trabalhos.

Pressões e reação pública

No último domingo, a senadora afirmou que a CPMI tem sofrido pressões de pessoas e instituições interessadas em atrapalhar o andamento das investigações. Segundo ela, essas tentativas ocorreriam após a identificação de “grandes igrejas” e “grandes pastores” supostamente envolvidos nos esquemas investigados.

As declarações geraram reação imediata de Silas Malafaia, que classificou Damares como “linguaruda” por, segundo ele, generalizar acusações sem citar nomes. Diante da repercussão, a parlamentar publicou nota em suas redes sociais esclarecendo sua atuação e divulgando os nomes já constantes em documentos oficiais da comissão.

Igrejas citadas na CPMI

De acordo com a lista divulgada pela senadora, as seguintes igrejas são alvo de pedidos de quebra de sigilo aprovados pela comissão:

  • Adoração Church
  • Igreja Assembleia de Deus Ministério do Renovo
  • Ministério Deus é Fiel Church
  • Igreja Evangélica Campo de Anatote

Pastores citados

A CPMI também aprovou convites e, em alguns casos, pedidos de quebra de sigilo envolvendo os seguintes líderes religiosos:

  • Cesar Belucci – convidado a comparecer à CPMI
  • André Machado Valadão – convidado e alvo de pedido de quebra de sigilo
  • Péricles Albino Gonçalves – convidado a comparecer à CPMI
  • Fabiano Campos Zettel – convidado a comparecer à CPMI
  • André Fernandes – convidado a comparecer à CPMI

“Tristeza e dever constitucional”, diz Damares

Em nota, Damares Alves afirmou que a possível participação de igrejas ou líderes religiosos em fraudes no INSS lhe causa “profundo desconforto e tristeza”. Apesar disso, ressaltou que a comissão tem o dever constitucional de investigar os fatos com responsabilidade, imparcialidade e base documental.

Em entrevista ao SBT News, a senadora relatou que a pressão para não avançar nas apurações parte, inclusive, de membros da própria comunidade religiosa, que temem o impacto das investigações sobre os fiéis.

Malafaia acusa generalização

Após a divulgação da lista, Silas Malafaia voltou a se manifestar nas redes sociais. Ele acusou a senadora de contradição e afirmou que as declarações anteriores, ao mencionarem “grandes igrejas” e “líderes renomados”, teriam sido infundadas e prejudicariam a imagem da Igreja Evangélica de forma geral.

Segundo o pastor, denúncias dessa gravidade deveriam ser feitas com a identificação clara dos envolvidos desde o início, para evitar generalizações.

Próximos passos da CPMI

O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), informou que em fevereiro de 2026 será apresentado o primeiro balanço do relatório preliminar da comissão. O prazo oficial de encerramento está previsto para março, mas o parlamentar defende a prorrogação dos trabalhos por mais 60 dias.

De acordo com Viana, a dimensão nacional do esquema exige mais tempo para análise dos documentos e oitiva de todos os depoentes. Em 2025, a CPMI realizou 28 reuniões, ouviu 26 testemunhas — incluindo ex-ministros da Previdência —, analisou cerca de 4.800 documentos e identificou 108 empresas suspeitas.

Entre as medidas que devem constar no relatório final está o pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) para a suspensão imediata de quase 2 milhões de contratos de empréstimo consignado considerados suspeitos de irregularidades.


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